Encontrando uma deusa latino-americana
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Resumo
Este ensaio relata aprendizados desencadeados a partir do encontro com a deusa mesoamericana pré-hispânica Tlazoltéotl, vivenciados durante a estadia no México para uma experiência de doutorado sanduíche na Universidade Autônoma do México (UNAM) e em Cuba numa visita para conhecer o contexto do ensino de design na Faculdade de Design da Universidad de La Habana (ISDI). A deusa (do Nahuatl: 'tlazōlli, sujeira; teōtl, divino'), é uma divindade de origem huasteca. Na mitologia mexicana, 'tlazōlli pode ser traduzido como sujeira e lixo, contudo, numa leitura aprofundada, se refere a algo que perdeu sua estrutura, portanto a palavra pode ser entendida como algo que perdeu ou que altera a ordem. Assim, aqui notamos que para que algo deixe de significar lixo ou simbolizar o descarte, é necessário que devolvamos a esse elemento alguma estrutura própria e um lugar na estrutura das coisas/da vida/dos sistemas. A deusa, que come lixo/sujeira e transforma em adubo, congrega elementos aparentemente paradoxais: é uma deusa da tecelagem, dos partos e nascimentos, mas também da guerra, da morte e das transformações. Isso revela a fina tecnologia do sensível e o conhecimento ancestral da correlação vida-morte-vida como algo cíclico, saberes praticados e incorporados nas culturas ancestrais latino-americanas. O achado da deusa despertou uma série de reflexões sobre as relações entre desejo/desecho (dejetos, lixo) e consumo, tecnologias, design, desígnios e em torno dos sonhos latino-americanos que compartilharemos a partir de jogos de palavras e costuras com autoras latinas.
Palavras-chave: Desejo; Dejetos; Tecnologias Do Sensível; Tlazoltéotl.
Abstract
Abstract
This essay reports on the lessons learnt from the encounter with the pre-hispanic Mesoamerican goddess Tlazoltéotl, experienced during a stay in Mexico for a sandwich doctorate at the Autonomous University of Mexico (UNAM). The goddess (from Nahuatl: 'tlazōlli, dirt; teōtl, divine'), is a deity of Huastec origin. In Mexican mythology, 'tlazōlli can be translated as rubbish, but in a deeper reading it refers to something that has lost its structure, so the word can be understood as something that has lost or changes order. So here we see that for something to cease to mean rubbish or symbolise discarding, we need to give it back some structure of its own and a place in the structure of things/life/systems. The goddess who eats rubbish and turns it into fertiliser brings together apparently paradoxical elements: she is a goddess of weaving and childbirth and rebirth, but also of war, death and transformation. This reveals the fine technology of the sensitive and the ancestral knowledge of the life-death-life correlation as something cyclical practised and incorporated into Latin American ancestral cultures. Nêgo Bispo summarises: "Beginning-middle-beginning" to signal the ways in which the original peoples viewed the forms of life and time. The finding of the goddess sparked a series of reflections on the relationship between desire and desecho (waste, rubbish) and Latin American consumption, technologies, design, plans and dreams.
Keywords: Desire; Dirt; Technologies Of The Sensible; Tlazoltéotl.
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