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Memória e representação: o imaginário social da História e Cultura Africana e Afro-brasileira na CDD

Graziela dos Santos Lima; Maria Leandra Bizello; Carlos Cândido de Almeida

O presente trabalho versa sobre a memória e a representação do conhecimento afro-brasileiro no Sistema de Classificação Decimal de Dewey (CDD), os quais contribuem na retroalimentação do imaginário social devido às limitações que o instrumento de classificação possui em relação à história e cultura das populações de origem africana. A biblioteca é considerada um lugar de memória onde estão guardados os conhecimentos das culturas e histórias dos seres vivos e mortos. Sendo um lugar de memória colabora para que não se estimule o esquecimento. Dessa forma, refletimos sobre o sistema de classificação impresso na realidade das bibliotecas públicas brasileira. Enfatiza-se que não foram quantificadas as bibliotecas brasileiras que utilizam a CDD como instrumento de classificação, mas busca-se trazer a reflexão sobre a fragilidade que o instrumento possui perante os grupos majoritariamente discriminados, em especial, as populações afro-brasileiras. A CDD representa e dá acesso à memória. E essa memória está relacionada a uma perspectiva de sociedade que não condiz com a realidade da sociedade brasileira. Sabe-se que o sistema de classificação não está imune às influências ideológicas, nesse sentido pode, particularmente, limitar, excluir e deturpar a representação da informação. Este trabalho é de natureza bibliográfica que, por meio da técnica de análise conteúdo, identificamos elementos usados para auxiliar na alimentação do imaginário social relacionada à cultura afro-brasileira. Nesse sentido, utilizou-se artigos, tais como: Miranda et al (2016) intitulado “A organização e a representação do conhecimento em religiões de matrizes africanas: um estudo comparativo dos diferentes sistemas de organização do conhecimento (CDD, CDU e LCSH)”, Miranda (2007) com o artigo “A organização do etnoconhecimento:a representação do conhecimento afrodescendentes em religião na CDD” e o artigo de Silva e Almeida (2017) “A representação do negro em Sistema de Organização do conhecimento no Brasil”. Nessa perspectiva, o propósito é refletir sobre a história, cultura e memória afro-brasileira e sua representação na CDD que os limita e, por vezes, os excluem e, por esse motivo, contribuem na retroalimentação do imaginário social que interfere na representação da realidade. A visão que se tem do conhecimento afro-brasileiro é um conhecimento desqualificado e primitivo alimentando imaginário social da população no que concerne às religiões de matriz africana como religiões que não se adequam aos valores cristãos e são consideradas e perpetuadas como religiões satânicas, algo que contribui na manutenção do preconceito e discriminação. Este sistema de classificação, moldado com perspectiva eurocêntrica e colonialista, possibilita uma representação limitada e a dispersão semântica do sistema de classificação. Dessa forma, interfere na indexação e recuperação da informação da temática afro-brasileira, causando de certo modo desvio e uma representação de caráter marginalizado, que torna inviável o acesso as essas memórias ou as tornas inexistentes. Portanto, se a CDD representa e dá acesso à memória, e sendo este sistema utilizado em grande parte das bibliotecas brasileiras, deveria representar, de uma maneira fidedigna, as populações afro-brasileiras e suas culturas para evitar a naturalização do imaginário preconceituoso que se tem sobre essa população.

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