Published August 28, 2023 | Version v2
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SCIENTIFIC OBSERVATORY MAGAZINE - issn 2965-0704 - ACCREDITATION: INTERNATIONAL EDUCATION ASSOCIATION 08-675

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     Pensar no desamparo humano é pensar inicialmente no nascimento do ser humano, onde pode-se constatar a manifestação do seu sofrimento: no choro, no grito, no espernear e no desespero que emergem com contundência, muito mais do que em outros animais. O bebê humano precisa da intervenção de um Outro experiente para responsabilizar pela sua sobrevivência biológica e psicológica. Entretanto, Freud (1895) inicia sua teorização mencionando o exemplo de um recém-nascido que, desamparado, tenta suprimir uma estimulação desprazerosa por intermédio de respostas motoras, como o choro e agito dos membros, tais respostas que não produzem o alívio desejado, sobretudo por ainda persistir o estímulo desagradável. Neste caso, a eliminação do desprazer só será obtida mediante a realização de uma ação específica, ou seja, quando o Outro que lhe fornece o alimento. O sujeito advém a partir do Outro. Observar-se-á que é impossível obter um amparo pleno, é impossível atingir a completude, é difícil ser feliz, isto porque o ser humano é vulnerável a situações que chegam a barrá-lo, como por exemplo: nas atuações implacáveis da força da natureza, pois não se consegue detê-la, o corpo humano é frágil e padece com as doenças e as relações sociais são injustas, pois não proporcionará uma estabilidade. Portanto, na caminhada empreendida pelo ser humano à procura do tão sonhado amparo não cessará. Percebe-se, no entanto, que a tal procura é fundamental, pois dinamizará a existência humana na construção da dimensão cultural. E o sentido que se pode obter desta trajetória é aceitar a falta que nunca será preenchida, conscientizando que a suposta plenitude é ilusória, só atingimos através da expressão radical da finitude, que é a morte.

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