Possessão poética: linguagem e loucura em Rei Lear
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A linguagem, como problema e como força ativa, está no centro da tragédia de Rei Lear, bem como estrutura simbólica e concretamente todo seu drama. O problema da linguagem está no conflito entre o discurso adulador de Regan e Goneril e o discurso sincero de Cordélia e Kent; está na ilogicidade da loucura fingida do Bobo e na loucura real de Lear. Lear confia na palavra ornada de falso decoro e desconfia da palavra nua, e nisso está o motivo de sua queda. Partindo da noção da centralidade da linguagem para a peça, desejamos neste artigo explorar tal questão e averiguar em que medida a linguagem é mais do que um instrumento em Rei Lear e constitui uma verdadeira dimensão autônoma que interage com os acontecimentos da peça e a qual Lear atravessa em sua jornada através da loucura. Para tanto, procedemos em nosso estudo através de três seções, nas quais, respectivamente, analisamos questões de linguagem, primeiro, nos discursos de Goneril e Regan, Cordélia e Kent, segundo, no discurso do Bobo e, terceiro, no discurso de Lear louco. Concluímos que o germe da tragédia do rei consiste em sua excessiva confiança nas palavras: para ele, no início da peça, linguagem e realidade se confundem. Quando essa visão é abalada, linguagem e realidade se desestruturam para ele e Lear cai em sua loucura, na qual, por vez e de um modo diferente, linguagem e realidade voltam a se confundir, não como aparência vazia como antes, mas agora como realidade poética.
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