Published April 4, 2022 | Version digital

A FORMAÇÃO HUMANA DO SER PERANTE A AVALIAÇÃO ESTUDANTIL PERPASSADA PELOS DITAMES DO CURRÍCULO ESCOLAR

Description

Objetivamos apresentar reflexões acerca da rigidez do exame da aprendizagem diante da avaliação estudantil que é conduzida pelo currículo escolar. Trata-se de um estudo bibliográfico, pautado na leitura e reflexão a partir de referenciais que norteiam as discussões apresentadas: Biesta (2012), Foucault (1986), Luckesi (2011), Oliveira (2016), Silva (2001; 2014), Silva Junior (2021), Saviani (2016) et al. O estudo evidencia que o currículo muitas vezes reforça a perpetuação de relações de poder em que há a preponderância de desequilíbrio entre membros de uma mesma sociedade; mais especificamente, de uma mesma comunidade escolar. Colocando, assim, em primeiro lugar, as relações capitalistas e de formação profissional, relegando a um plano secundário a formação do ser que vise desenvolver a dimensão humana das pessoas. O currículo escolar precisa buscar meios para oportunizar aos discentes a construção da autonomia da pessoa; desenvolver meios e possibilidades dialógicas com o plural; estar disposto a ouvir e aprender com o “outro” como condição sine qua non para evolução do ser humano. Percebemos que com as avaliações em larga escala, a avaliação da aprendizagem se perdeu em sua prática-fim, a do ensino-aprendizagem, principalmente as voltadas para a plena formação do ser. A avaliação escolar tem coadunado com as práxis mercadológicas voltadas para o accountability de alunos, professores e, sobretudo, de escolas. Sabemos que avaliar a aprendizagem é essencial e, aqui não se objetiva “demonizar” a avaliação, como se a “curvatura da vara” precisasse pender apenas para um lado, mas, propõe-se uma dialética simples que comporte uma TESE, uma antiTESE e sinTESE. A avaliação da aprendizagem deve retroalimentar os processos de ensino-aprendizagem, bem como, corrigir lacunas naturais deste processo; quando ela se configura meramente classificacional, ela se torna vazia porque não tem contexto. Nesse sentido, a noção de educação democrática, universal e libertadora voltada para a formação do ser acaba não encontrando assento em práticas avaliadoras e termina por contribuir para a perpetuação do status quo. A avaliação puramente meritocrática não consegue abarcar em seu bojo a educação igualitária e acessível a todos, servindo apenas para separar, por extratos e classes, e inviabilizando processos de mudanças e superação. A presente discussão objetiva apresentar reflexões acerca da formação humana, que busque não apenas a formação profissional para o mercado, mas, também, se ocupe com a socialização e subjetivação do indivíduo. Não seriam as escolas, os professores e os alunos – esses que não conseguiram bons conceitos avaliativos pelo sistema educacional – os mais carentes e necessitados de atenção da sociedade e de investimentos por parte do Estado? As provocações assentadas neste trabalho não têm o intuito de suscitar soluções prontas, mas, sim, de pontuar reflexões acerca dos objetivos educacionais e da avaliação da aprendizagem; provocar cogitações que possibilitem aos implicados em educação pensarem suas ações e práticas; suscitar diálogos e debates que concebam reflexão na ação.

Notes

Página do Trabalho www.even3.com.br/Anais/vcoloquiolusoafrobrasileirodecurriculo/384488-A-FORMACAO-HUMANA-DO-SER-PERANTE-A-AVALIACAO-ESTUDANTIL-PERPASSADA-PELOS-DITAMES-DO-CURRICULO-ESCOLAR ISBN 978-65-5941-581-6

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A FORMAÇÃO HUMANA DO SER PERANTE A AVALIAÇÃO ESTUDANTIL.pdf

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