DIÁLOGOS CTS COM PAULO FREIRE
Authors/Creators
- 1. UEPB - UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
Description
ESPERANÇAR É LEVAR ADIANTE,
ESPERANÇAR É JUNTAR-SE COM OUTROS
PARA FAZER DE OUTRO MODO
Prezada Leitora
Prezado Leitor
Desejamos Saúde, Paz e Esperança
Aqui, do interior do Estado de São Paulo, nesta primavera de 2021, quando celebramos o centenário do nascimento de Paulo Freire (1921-1997), Patrono da Educação Brasileira, nos vemos num contexto sócio sanitário da pandemia de COVID-19 bastante desafiador, cuja superação se dá ao mesmo tempo no desafio de nosso trabalho docente.
Um deles é sistematizar uma produção sem precedentes em nossas trajetórias. De leitores, ouvintes, admiradores e disseminadores da obra de Paulo Freire a organizadores desta obra que nos deixa num misto de sentimentos: lisongeados, emocionados e esperançosos. Aceitamos prontamente ao convite da Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB), para organizar a presente obra: Cartas CTS a Paulo Freire e neste momento, outubro de 2021 trazemos a público reflexões críticas e de esperançar.
Um projeto de grande magnitude, que a Editora vem resgatando, ao longo deste ano 2021 em diversos projetos editoriais, o espírito das Cartas Pedagógicas1 de Paulo Freire.
Pudemos acompanhar durante quase todas as estações deste ano que antecederam esta primavera, escritas estimuladas em várias cartas pedagógicas, objetivadas por educadores, pesquisadores, ativistas – cujo ideário da educação significativa e emancipatória se faz presente no pensamento de Paulo Freire.
Quando revisitamos estes últimos dois anos, entre as complexas questões da pandemia e as ameaças à dignidade humana, à democracia, ao presente e ao futuro, nada melhor que esperançar em ato: na reflexão sobre o mundo, no compartilhamento da leitura de mundo e na busca de possibilidades reais.
Nos vimos nesse momento de pandemia envoltos num trabalho remoto, num distanciamento físico-social, numa contínua ameaça à vida individual e coletiva, mas paradoxalmente estimulados em reflexões e revisão da memória do centenário, de modos especial neste projeto Cartas CTS a Paulo Freire. Periodicamente tínhamos notícias, que superavam também as nossas expectativas, a destacar a trilogia denominada Cartas a Paulo Freire – escritas por quem ousa esperançar2.
São mais de 1.500 páginas de cartas que para nós expressam no esperançar, possibilidades transformadoras e emancipatórias. O esperançar inclusive que mantém a potência de articular nosso trabalho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), localizada aqui no interior do Estado de São Paulo, com atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão – que pelo contexto
1 FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: Cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000
2 Disponíveis em: http://eduepb.uepb.edu.br/e-books/.
pandêmico nos desafiou ao trabalho remoto – vivo e criativo, mas também desmedido e desafiador no âmbito da saúde e do envelhecimento, destacando a inserção no Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (que traz o campo CTS como foco interdisciplinar na formação em pesquisa). Concomitante envolvemo-nos nas ações da Associação de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias – ESOCITE.BR, e especificamente na organização em rede do IX Simpósio Nacional de Ciência, Tecnologia e Sociedade, realizado em outubro de 2021, junto à UFSCar. E claro tudo remoto garantindo para além das necessidades sócio- sanitárias, a participação e o envolvimento significativo dos participantes.
É claro que aqui, faz-se necessário uma observação sobre o campo de estudos sociais das ciências e das tecnologias, no qual parte significativa de nosso trabalho docente vem se ancorando na interdisciplinaridade e na busca de alternativas das ciências e das tecnologias na utopia da universalidade, da equidade e da emancipação - na pesquisa, na educação científica e tecnológica, integrando políticas públicas, cujas cartas, aqui apresentadas, expressam estas e outras dimensões.
Vimos perscrutando (PEDRO e cols. 2018)3 o campo dos estudos sociais das ciências e das tecnologias. Este configura-se como um campo acadêmico de pesquisas e intervenções; cujo objeto constitui-se no estudo das interações e determinações sociais das ciências e das tecnologias, em seus fatores sócio-históricos e culturais, que influenciam as mudanças científico-tecnológicas .
3 PEDRO, W. J. A.; SOUSA, C. M. de; OGATA, M. N. Ciência, Tecnologia e Sociedade. In: MILL, D. (Org.). Dicionário crítico de educação e tecnologias e de educação a distância. Campinas, SP: Papirus, p.98-101, 2018.
Constitui-se como um campo interdisciplinar que pauta-se em aportes teóricos e epistemológicos da filosofia, da sociologia da ciência e da história da tecnologia, evidenciando que todo o desenvolvimento científico e tecnológico é socialmente construído, cujas consequências afetam a vida social e as dimensões ambientais. Em sua epistemologia contribui para desmistificar a visão tradicional - essencialista e triunfalista da ciência e da tecnologia - e propõe investigar as dimensões sociais das ciências e das tecnologias visando apreender os fenômenos do ponto de vista dos seus antecedentes sociais, analisando criticamente suas consequências, ou seja, tanto no que diz respeito aos fatores de natureza social, político e econômica que modulam as mudanças científicas e tecnológicas; quanto ao que concernem às repercussões de natureza ética, ambiental e cultural dessas mudanças.
Há que se destacar ainda em seus pressupostos, a relevância dos atores sociais no contexto do desenvolvimento científico e na produção e disseminação de artefatos tecnológicos, bem como na democratização das tomadas de decisão de questões concernentes às ciências e às tecnologias.
E neste contexto, nós aceitamos o convite-desafio de participarmos da organização desse livro, também de cartas, que destaca questões do nosso tempo articulando com leituras do campo CTS, e em diálogo crítico com o legado freireano.
Mediante o chamamento público da EDUEPB, autoras e autores brasileiros responderam na forma de escrita de uma Carta Pedagógica, observando pelo menos dois critérios: (a) sendo uma carta, devendo apresentar os elementos próprios deste gênero (data, destinatário, remetente, saudação inicial e final) e empregar, sempre, a primeira pessoa (do singular, se autoria individual, ou do plural, se autoria coletiva); (b) por ser pedagógica, devendo demonstrar com clareza seus propósitos, zelar pela qualidade
do texto, inclusive no uso moderado de referências diretas ou indiretas.
E virtualmente, nós recebemos todas elas, num tempo em que priorizamos a sua leitura, bem como organizávamos as atividades do IX Simpósio, cujo tema central, aqui registramos: Qual interdisciplinaridade queremos? Novas agendas científicas para sociedades em transformação? (a fim de destacar a sincronicidade dos tempos e movimentos). E simultaneamente, buscávamos novas inspirações.
Fortemente envolvidos nas reflexões do IX Simpósio procedemos a leitura das cartas recebidas. Construímos uma organização em seções, que expressam núcleos de sentidos inspirados nos pensamentos e nas obras de Paulo Freire: 1.Inquietações e criticidade em CTS; 2.Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender; 3. Esperançar: é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo...
E neste conjunto de cartas, nucleado nessas seções estão contempladas as reflexões expressas em palavras e manifestações de atores sociais de diversas regiões do país com aderência aos estudos sociais das ciências e das tecnologias, trazendo para o debate temas como: tecnociência, questões étnico raciais, gênero, pandemia COVID-19, sofrimento psíquico, juventude, novas tecnologias de informação e comunicação, alfabetização e inclusão digital; educação ambiental e sustentabilidade, educação e produção cientifica, dentre outros temas transversais ao nosso tempo.
Esta é uma obra inspiradora, reflexiva e propositiva. Esperamos assim, com a apresentação ao público da presente obra, contribuir no revisitar as ideias de Paulo Freire, celebrar seu centenário, mantendo acesa o esperançar e as possibilidades – inspirados nos estudos sociais das ciências e das tecnologias.
Na pessoa do Prof. Dr. Cidoval Morais de Sousa - Diretor da EDUEPB queremos agradecer a toda equipe de produção desta obra e também de modo especial aos emitentes das Cartas. E de modo muito particular, a Você destinatária/o desta obra, com a expectativa de que as ideias aqui contidas, sejam significativas e também potentes para o nosso momento de mundo, fomentando assim o esperançar e o desejo de mudanças, argumentando cada vez mais na potência do legado de Paulo Freire de uma educação científica e tecnológica universal, transformadora e emancipatória.
E Viva Paulo Freire! Um legado vivo e efervescente, concreto de esperançar e de possibilidades de outros mundos possíveis e mais humanos.
Boas leituras, boas reflexões.
Márcia Niituma Ogata4
Wilson José Alves Pedro5
4 Enfermeira, Professora Titular Sênior da Universidade Federal de São Carlos nos Programas de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade e Pós-graduação em Enfermagem. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e Pós Doutora em Enfermagem pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
5 Sociólogo, Professor Associado ao Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos nos Programas de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade e Pós-graduação em Gerontologia. Doutora em Psicologia Social Pontifícia Universidade Católica São Paulo. Pós Doutor pela Universidade de Lisboa - Portugal.
Publicação EDUEPB disponível no site: http://eduepb.uepb.edu.br/e-books/
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