Published April 18, 2021 | Version v1
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O Bem: aquilo que todas as coisas visam

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  • 1. Instituto de Estudos Filosóficos
  • 1. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
  • 2. Independente
  • 3. Instituto de Estudos Filosóficos
  • 4. Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Description

#2 da coleção "Filosofia ao Minuto", do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O texto de Iuliia Nikitenko segue abaixo na íntegra:

***

O Bem: aquilo que todas as coisas visam

É sobejamente famosa a abertura da ‘Ética Nicomaqueia’:

"Toda a produção e todo o caminho de investigação, assim como todo o empreendimento prático e decisão, parecem visar algum bem. É por isso que tem sido dito acertadamente que o bem (ἀγαθόν) é aquilo que todas as coisas visam"

Nesta frase inicial, Aristóteles diz-nos que diferentes tipos de atividade humana parecem ter em vista algum bem.

Daí resultou a sua conclusão, deveras otimista, acerca não só da ação humana, mas, literalmente, sobre tudo o quanto existe.

Se é verdade que a ação humana se orienta sempre para um qualquer bem, pode julgar-se ser assim que as coisas funcionam, de uma forma geral, em toda a natureza. É o que Aristóteles supõe.

Contudo, é do agir humano que ele trata na ‘Ética Nicomaqueia’. Por isso, Aristóteles tenta definir o bem que toda a ação humana visa.

Ele sustenta que há coisas ou ações que os seres humanos escolhem porque valem por si mesmas e outras que são escolhidas com vista a alcançar algo de distinto.

O Bem próprio do agir humano não pode ser senão do primeiro tipo: tem que valer por si mesmo.

Então, de que é que toda e qualquer pessoa anda à procura e que vale por si só?

Aristóteles responde: trata-se de felicidade (εὐδαιμονία).

Porém, o que significa isso, afinal? De que forma se pode alcançar a felicidade? Por fim, como reconhecê-la? Será legítimo generalizar as considerações respeitantes à ação humana para além do seu campo próprio?

A solução apresentada por Aristóteles baseia-se numa analogia entre o modo como as coisas funcionam para os seres humanos e para a natureza em geral.

Se o humano desempenha uma função, declara o Filósofo, então o bem próprio ao humano reside nessa função.

Comparando o humano com os demais seres, Aristóteles trata de descobrir a função que lhe é específica.

Assim, Aristóteles chega à conclusão de que a função do humano consiste no exercício ativo das faculdades da alma em conformidade com a razão, uma vez que considera ser a parte racional da alma aquela que é própria do ser humano.

Tal quer dizer que, para o humano ser feliz, é necessário que ele exerça a sua função e exprima integralmente a sua própria natureza, agindo em conformidade com ela.

***

Pode aceder à página da coleção in https://www.uc.pt/fluc/uidief/Pub/Filosofia_ao_Minuto

Notes

Recursos em Linha do Instituto de Estudos Filosóficos [https://www.uc.pt/fluc/uidief/Pub/Recursos]

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