POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA COMO PROBLEMA SOCIOESPACIAL METROPOLITANO: REFLEXÕES A PARTIR DO RECIFE/PE
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RESUMO: O processo de urbanização brasileira resultou em profundas desigualdades
socioespaciais e a constituição de grupos sociais em extrema vulnerabilidade. A população em
situação de rua, historicamente hostilizada pelo Estado e pelo conjunto da sociedade, foi
sistematicamente posta às margens das dinâmicas urbanas. Neste sentido, o presente trabalho
busca identificar o crescimento e as particularidades da territorialização desse grupo na Região
Metropolitana do Recife (RMR). Para tanto, a metodologia do estudo concentrou-se no
levantamento de dados provenientes do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico),
dos diagnósticos situacionais da Vigilância Socioassistencial do estado de Pernambuco e das
pesquisas recentes sobre população em situação e rua em Recife, compreendendo o período
entre 2018 e 2025. A partir da análise desses dados, as principais inferências indicaram um
crescimento expressivo dessa população na Região Metropolitana do Recife, ainda que com
forte concentração na capital, o que pode estar associado tanto a fatores estruturais (como a
precarização do trabalho e os efeitos da pandemia da COVID-19) quanto à maior oferta de
serviços socioassistenciais no núcleo metropolitano. Diante desse cenário, conclui-se que a
situação de rua extrapola a escala municipal e demanda, no campo das políticas públicas e do
planejamento urbano, ações articuladas em nível metropolitano.
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