RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM INFECÇÕES URINÁRIAS DE CÃES: PERFIL DE SENSIBILIDADE E RACIONALIZAÇÃO DA TERAPIA EMPÍRICA
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A racionalização da terapia empírica em cães com suspeita de ITU, portanto, exige articular diagnóstico, classificação clínica da infecção, histórico de exposição a antimicrobianos, distribuição local dos uropatógenos e dados de suscetibilidade, restringindo a utilização de fármacos de amplo espectro às situações em que existam fundamentos clínicos e microbiológicos para tal escolha. O stewardship antimicrobiano oferece estrutura para essa articulação ao propor seleção apropriada do agente, dose, via e duração, acompanhadas por monitoramento, auditoria e revisão das prescrições. Krummenauer (2025), ao avaliar programas brasileiros de gerenciamento do uso de antimicrobianos em unidades pediátricas de terapia intensiva, insere essa prática em uma perspectiva institucional de controle do consumo e qualificação da prescrição, enquanto Roriz (2022) evidencia a inserção do cuidado farmacêutico no acompanhamento terapêutico em ambiente intensivo. Esses elementos, embora oriundos da saúde humana, sustentam uma lógica de gerenciamento compatível com hospitais e serviços veterinários, desde que adaptada às particularidades farmacológicas e epidemiológicas da espécie canina. Viana et al. (2023) reforçam que o uso inadequado favorece a seleção de resistência, e Rodrigues et al. (2023) demonstram que dados locais podem diminuir a incerteza própria da terapia empírica; no âmbito veterinário, Raposo (2025), Quadros (2023) e Sebastião (2023) fornecem o suporte para transportar esse raciocínio ao contexto das ITUs em cães. Assim, o problema que orienta este capítulo concentra-se em determinar de que modo os padrões de resistência e sensibilidade dos principais uropatógenos podem subsidiar escolhas empíricas menos aleatórias e mais ajustadas à realidade microbiológica. Nessa direção, objetiva-se analisar a resistência antimicrobiana nas infecções urinárias caninas, caracterizar seus principais agentes e respectivos perfis de suscetibilidade, examinar a contribuição da cultura e do teste de sensibilidade para a definição da conduta e discutir estratégias de uso prudente capazes de preservar a eficácia terapêutica e limitar a seleção de novos fenótipos resistentes.
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