Geografia Eleitoral: comportamento do voto. Municípios Pêndulo no Estado de Minas Gerais.
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Este relatório examina a geografia eleitoral de Minas Gerais a partir dos resultados dos seis segundos turnos presidenciais realizados entre 2002 e 2022, classificando os 853 municípios do estado segundo o número de alternâncias de campo entre eleições consecutivas e a contagem de vitórias de cada campo (PT × direita). Os dados provêm do warehouse do TSE, com o cadastro de eleitorado na posição de 2024 utilizado como proxy dos aptos de 2026, replicando o método do estudo da ReDem sobre municípios pêndulo. Minas Gerais configura-se como o caso mais equilibrado da federação: o campo do PT domina 448 municípios (52,5% do total, mas apenas 39,7% do eleitorado), a direita reúne 157 municípios (18,4% e 36,6% do eleitorado) e as 248 cidades-pêndulo — o maior contingente do país em números absolutos, 29,1% dos municípios — concentram 3,9 milhões de eleitores, ou 23,7% do eleitorado estadual. A volatilidade mineira é interiorana e capilar: 216 das 248 praças pendulares estão fora de regiões metropolitanas, somando 3,1 milhões de eleitores, com destaque para Juiz de Fora, Patos de Minas, Teófilo Otoni e Barbacena, além de núcleos na Grande Belo Horizonte como Ribeirão das Neves e Sabará. As regiões metropolitanas abrigam apenas 31,4% do eleitorado em 82 municípios — a menor fração metropolitana entre os grandes estados —, e a RM de Belo Horizonte, a maior delas, pende à direita no agregado. A série do desempenho petista nas cidades-pêndulo descreve erosão seguida de recuperação parcial: 66,3% dos votos válidos em 2002 e 65,3% em 2006, queda contínua para 59,5% em 2010 e 55,4% em 2014, mínimo de 43,3% em 2018 e retorno à maioria estreita com 51,9% em 2022. Conclui-se que, em Minas Gerais, a eleição se decide no interior pendular, município a município e por margens apertadas, o que sustenta a leitura histórica do estado como termômetro do resultado nacional.