Antropologia das emoções e colonialidade: entre o estereótipo da mulher negra raivosa e a autodefinição.
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Este trabalho analisa a construção do estereótipo da “mulher negra raivosa” no contexto ocidental, buscando compreender como a oposição hierarquizante entre razão e emoção se articula aos processos de colonialidade e racialização. Parte-se da compreensão de que emoções e identidades são construções históricas e culturais, problematizando a forma como determinados grupos foram associados à irracionalidade, ao corpo e ao descontrole emocional. Nesse contexto, mulheres negras da diáspora foram frequentemente representadas como excessivamente emocionais, agressivas e violentas, em contraste com o ideal ocidental de racionalidade associado à branquitude. A pesquisa, de caráter teórico-bibliográfico, dialoga com debates da antropologia das emoções, do pensamento anticolonial e da produção teórica de mulheres negras para refletir sobre os impactos subjetivos, sociais e políticos dessas representações. Argumenta-se que tais estereótipos atuam como mecanismos de desumanização e controle, influenciando a forma como mulheres negras são percebidas em diferentes espaços sociais e como constroem suas próprias identidades. Por fim, o trabalho discute a autodefinição como possibilidade de resistência frente às imagens historicamente impostas, enfatizando a importância da produção de narrativas construídas pelas próprias mulheres negras sobre suas experiências e subjetividades.
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