Sujeito Codificado
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Sujeito Codificado
Genética, Biopolítica e a Fantasia do Código como Destino
A palavra "código" atravessa hoje dois campos que raramente se encontram: a genética, para a qual o DNA é um código a decifrar, e a ciência de dados, para a qual o comportamento humano é cada vez mais traduzido em perfis e escores algorítmicos. Este ensaio parte de uma hipótese simples: por trás dessas duas linguagens tão diferentes existe a mesma fantasia — a de que um sujeito pode ser inteiramente lido e previsto a partir de um código que o precede.
Partindo de Foucault e da noção de biopoder, o livro percorre a mística cultural do gene (Nelkin e Lindee), os limites epistemológicos da metáfora do "código genético" (Evelyn Fox Keller) e a desautorização científica do determinismo pela epigenética — para depois deslocar o mesmo diagnóstico ao mundo algorítmico, com as armas de destruição matemática de Cathy O'Neil, os algoritmos de opressão de Safiya Noble e a automação da desigualdade de Virginia Eubanks. Rose, Agamben e Mbembe permitem perguntar por que essas fantasias persistem: porque cumprem uma função biopolítica de gestão diferencial que liga a eugenia clássica ao redlining algorítmico contemporâneo.
A edição integral ampliada acrescenta uma contribuição teórica original — o Modelo dos Três Hiatos da Codificação Biopolítica —, testado no caso do algoritmo COMPAS, além de um capítulo de objeções e réplicas, notas metodológicas e uma agenda de pesquisas futuras.
Um convite a pensar o sujeito contemporâneo não como texto fixo nem como indeterminação total, mas como processo de expressão situada, cujo sentido depende de quem controla o contexto em que os códigos que o descrevem são produzidos e aplicados.
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2026-07-29
References
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