Published July 20, 2026 | Version v1

ESTUDO DE CASO DE INTOXICAÇÃO POR MORFINA

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Introdução: Intoxicação consiste no conjunto de efeitos caracterizados por manifestações clínicas e/ou laboratoriais que evidenciam o desequilíbrio do organismo, decorrente da interação entre um agente químico e o sistema biológico. Assim, a morfina, um analgésico narcótico opioide, pode causar depressão respiratória, levando à morte em casos de overdose. Objetivos: Descrever e analisar o tratamento adotado, em um caso de intoxicação por morfina. Métodos: Esse caso correu em outubro de 2025, envolvendo um paciente do sexo masculino, de 3 anos de idade, que em sua residência foi exposto acidentalmente, por via oral (ingestão) à morfina. Para a realização do presente estudo as informações foram coletadas por uma aluna do curso de farmácia, junto à equipe de profissionais de saúde de um Centro de Informações e Assistência Toxicológica (CIATox), a qual vivenciou esse caso de intoxicação durante sua atividade de estágio nesse centro. Resultados e Discussão: A morfina um potente depressor do Sistema do Nervoso Central (SNC), atua como agonista de receptores opióides, principalmente de receptores μ (mu) e, em menor intensidade, de receptores κ (kappa) e δ (delta). Tais receptores são acoplados às proteínas G inibitórias (Gi e Go), os quais estão distribuídos no SNC, em regiões relacionadas a modulação da dor, controle respiratório e sistema de recompensa, o que explica seus efeitos analgésico, sedativo e depressor respiratório. O primeiro atendimento revelou o paciente em estado de rebaixamento de consciência (Glasgow 11), apresentando sonolência e irritação. Os achados clínicos consistiram em pulso normal amplo, normotenso, gasometria de distúrbio misto com alcalose respiratória leve e acidose metabólica compensada, comum em intoxicações com depressão central leve, hipocalcemia acentuada, hiponatremia discreta e frequência respiratória inferior ao limite da normalidade (25-30 irpm), compatível com intoxicação por um opioide. A naloxona, um antagonista opióide, é a principal alternativa no tratamento de intoxicações por opióides, atuando como um antídoto. A duração da ação da naloxona é menor do que a de todos os analgésicos opióides. Portanto, doses repetidas de naloxona podem ser necessárias, e nesse caso, o paciente recebeu duas doses de naloxona de 0,1 mg/kg (i.v.). Conclusão: Diante do exposto, conclui-se que, o manejo adotado pelo CIATox esteve alinhado às recomendações da literatura científica, assegurando a qualidade do atendimento e a reversão do quadro no caso de intoxicação por morfina, com a recuperação do estado neurológico e normalização gradual dos parâmetros laboratoriais em paciente pediátrico, com desfecho de cura. 

 

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