Published June 4, 2026 | Version v1

Aproveitamento de Resíduos de Torneamento como Fibras em Concreto Permeável: Estudo Experimental

  • 1. 1: Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil (TPC), Universidade Federal Fluminense (UFF)
  • 2. 2: Departamento de Engenharia Civil (TEC), Universidade Federal Fluminense (UFF)

Description

Este artigo teve como objetivo avaliar experimentalmente o efeito da adição de diferentes teores (0,5%, 1,0% e 1,5%) de resíduos de usinagem de aço inoxidável, na forma de fibras, sobre as propriedades mecânicas (resistência à compressão e à tração), físicas (permeabilidade, massa específica e porosidade) e a adesão fibra-pasta de concretos permeáveis. Focou em resíduos de usinagem obtidos a partir do torneamento de elementos de aço inoxidável, procedeu-se a separação e segmentação manual, objetivando homogeneizar os resíduos a fim de emular o comportamento de inclusão fibrosa descontínua. Buscou-se então caracterizar as fibras empregadas segundo massa específica e comprimento. Para confecção do concreto permeável usou-se cimento Portland V de alta resistência inicial (CP-V ARI) e "brita zero" comercial, rocha granítica britada, como agregado graúdo. Baseado em um traço referência foram desenvolvidos outros três traços com adições sucessivas (0,5, 1,0 e 1,5%) de fibras de resíduos em massa. O efeito da inclusão foi avaliado a partir de ensaios de caracterização mecânica– de resistência à compressão axial, resistência à tração por compressão diametral (ensaio brasileiro) –, ensaios de permeabilidade e quantificação do teor de poros. A adesão fibra-pasta foi avaliada em microscópio ótico. Como resultado destaca-se a necessidade de baixas adições de fibra de resíduo em peças de concreto permeável. Inclusões acima de 1,0% em massa por metro cúbico de concreto produzido se mostraram prejudiciais à resistência e ao adensamento entre as camadas. As sucessivas adições de resíduos produziram perda de resistência comparada ao concreto referência (estimada em 26,2 MPa aos 28 dias), porém ficou constatado um aumento no número de vazios comunicantes, consequentemente aumentando a permeabilidade, e a não desagregação do concreto após a ruptura. O compósito produzido se mostrou viável para uma aplicação não estrutural podendo ainda ser tema de trabalhos futuros para a otimização da dosagem.

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