Published June 4, 2026 | Version v1

MEMÓRIA E RESISTÊNCIA INDÍGENA DURANTE O PROCESSO DE COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL

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Diante desse percurso, em que a colonização portuguesa aparece simultaneamente como processo de dominação territorial, violência simbólica, intervenção linguística, reorganização forçada das formas de vida e tentativa de controle das narrativas sobre os povos originários, a problematização da pesquisa emerge da necessidade de compreender de que maneira as memórias indígenas foram atingidas por práticas de apagamento e, ao mesmo tempo, mobilizadas como formas de continuidade, resistência e afirmação histórica. Assim, considerando que a memória ancestral não se limita à lembrança do passado, mas organiza pertencimentos, modos de transmissão, vínculos territoriais, práticas espirituais e formas de ação política, pergunta-se: como a memória ancestral dos povos indígenas se constituiu como forma de resistência diante da violência e do apagamento produzidos pelo processo de colonização portuguesa no Brasil?

O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar a memória ancestral como fundamento da resistência indígena durante o processo de colonização portuguesa no Brasil, compreendendo de que modo os povos originários preservaram, reelaboraram e mobilizaram saberes, narrativas, línguas, práticas espirituais, vínculos territoriais e formas de organização coletiva diante das múltiplas estratégias coloniais de dominação, apagamento e assimilação. Esse objetivo não se limita a descrever a violência colonial ou a registrar manifestações de resistência, mas busca interpretar a relação estrutural entre memória e permanência indígena, tomando a ancestralidade como categoria histórica, política e epistemológica capaz de tensionar as narrativas tradicionais da formação brasileira e de deslocar a leitura da colonização para além da perspectiva do colonizador.

Os objetivos específicos consistem em discutir a diversidade étnica, linguística e cultural dos povos indígenas no território brasileiro, considerando sua pluralidade histórica, cosmológica e territorial; analisar a colonização portuguesa como processo de violência material e simbólica, marcado pela expropriação, catequização, escravização, silenciamento linguístico e apagamento historiográfico das memórias indígenas; e compreender as formas de resistência indígena e permanência das memórias ancestrais, examinando como narrativas, práticas educativas, espiritualidades, literatura, movimentos políticos e territorialidades sustentam a continuidade dos povos originários diante das permanências coloniais. A articulação entre esses objetivos permite que o trabalho não fragmente diversidade, violência e resistência em dimensões isoladas, mas as compreenda como elementos interdependentes de uma mesma problemática histórica.

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