Published June 2, 2026 | Version v1

ÉTICA E TECNOLOGIA REFLEXÕES FILOSÓFICAS SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E AUTONOMIA HUMANA

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A consequência interpretativa dessa delimitação é que a inteligência artificial será analisada, ao longo do capítulo, como fenômeno que reconfigura a própria gramática da autonomia humana, e não como simples instrumento a ser regulado posteriormente por princípios externos. Franco (2024), ao questionar o papel da ética na ética da inteligência artificial, permite perceber que a proliferação de diretrizes abstratas pouco avança quando não enfrenta os modos concretos pelos quais sistemas algorítmicos redistribuem poder, responsabilidade e capacidade decisória. Costa (2026), ao relacionar funcionamento da IA, crenças e existência humana, amplia essa discussão ao mostrar que a tecnologia atinge dimensões profundas da vida social, pois interfere em formas de confiar, conhecer, julgar e projetar o futuro. Nieddermeyer et al. (2026), a partir da ética cristã e do discernimento moral, contribuem para recolocar a dignidade da pessoa como limite à instrumentalização da vida humana, enquanto Brochado (2023), em diálogo com Lima Vaz, sustenta que a reflexão ética sobre IA precisa preservar a centralidade do agir humano diante de sistemas que tendem a converter deliberação em cálculo. Junior e Mettestainer (2024) e Da Silveira (2021) reforçam, por vias distintas, que a possibilidade de agentes morais artificiais não elimina a necessidade de controle humano, pois a moralidade não se reduz à execução correta de comandos ou à otimização de resultados.

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