IMPACTO DO USO DE AGENDAS VISUAIS ESTRUTURADAS NA AUTONOMIA DE ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NÍVEL 1
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A centralidade das agendas visuais estruturadas também se amplia quando se considera a articulação entre recursos físicos, tecnologias assistivas, participação familiar e intervenções baseadas em rotina. Sousa Junior (2024), ao desenvolver o aplicativo gamificado iGO, parte da constatação de que o TEA impacta habilidades comportamentais, intelectuais e atividades de vida diária, propondo uma ferramenta voltada ao suporte de pais e responsáveis na organização e no acompanhamento da rotina, com uso de elementos de gamificação e reforçadores inspirados na Análise do Comportamento Aplicada. Embora a tecnologia digital não substitua a intervenção humana, ela evidencia uma tendência importante: a organização visual da rotina pode assumir formatos variados, desde cartões físicos, fotografias e quadros de sequência até aplicativos, checklists digitais e sistemas gamificados de acompanhamento. O ponto crítico, como sugerem Balestro e Fernandes (2019) ao demonstrarem a relevância das orientações a cuidadores para a compreensão da comunicação funcional das crianças com TEA, é que a mediação familiar modifica a qualidade das interações cotidianas e pode ampliar a capacidade dos adultos de perceberem as necessidades comunicativas e funcionais da criança. Assim, a agenda visual não deve ser reduzida a um instrumento técnico de controle comportamental, mas compreendida como recurso de tradução ambiental, por meio do qual a rotina se torna menos dependente da memória verbal, menos vulnerável à improvisação adulta e mais acessível à criança. O problema que orienta este capítulo, portanto, pode ser formulado nos seguintes termos: de que modo o uso de agendas visuais estruturadas contribui para ampliar a autonomia de crianças com transtorno do espectro autista nível 1 nas atividades de vida diária? A partir dessa questão, objetiva-se analisar criticamente o impacto dessas agendas na promoção da autonomia funcional, considerando seus fundamentos, formas de aplicação, possibilidades de adaptação, limites metodológicos e condições necessárias para que a mediação visual produza participação efetiva, e não apenas cumprimento mecânico de tarefas.
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