cuidado, reciprocidad y no-extractivismo desde la chakana andina: vinculación universidad-comunidad como práctica ética de creación de conocimiento
Description
En América Latina, la vinculación-universidad comunidad se ha consolidado como una función sustantiva de la educación superior; sin embargo, con frecuencia se implementa desde enfoques instrumentales que reproducen lógicas extractivas del conocimiento, del territorio y de los saberes de pueblos y nacionalidades. En el ámbito del turismo comunitario y vivencial, este riesgo se intensifica cuando las experiencias formativas priorizan resultados académicos o profesionales por sobre el cuidado de las relaciones interculturales y la reciprocidad con los pueblos y nacionalidades. Frente a este escenario, el presente estudio tiene como objetivo analizar una experiencia de vinculación universidad-comunidad desarrollada con el pueblo Kichwa Saraguro, en la comunidad Las Lagunas Chukidel Ayllullakta – Saraguro - Ecuador, comprendiendo este ejercicio académico como una práctica ética y política de creación de conocimiento, más que como un dispositivo técnico de aprendizaje. El estudio adopta un enfoque cualitativo-interpretativo, articulando etnografía, netnografía e investigación-acción, con el fin de acompañar y reflexionar críticamente sobre los procesos de contextualización, interacción, cuidado y co-construcción de sentidos entre estudiantes, docentes y actores de pueblos y nacionalidades. El análisis se apoya en la resignificación intercultural del modelo SECI de gestión del conocimiento, reinterpretado desde la lógica simbólica de la Chakana andina y del ciclo agrícola, no como un esquema instrumental, sino como un dispositivo ético-epistemológico que regula tiempos, límites y responsabilidades en la relación estudiantes-comunidad. Los resultados evidencian que la articulación SECI-Chakana favorece una comprensión de la vinculación como un proceso relacional y situado, que transita desde el encuentro y la experiencia compartida hacia la reflexión crítica, el reconocimiento de tensiones y la proyección responsable de acciones futuras. Más que centrarse en la adquisición de competencias, la experiencia analizada pone en el centro el cuidado del vínculo, la prevención del extractivismo simbólico y la construcción de criterios éticos para una práctica del turismo comunitario respetuosa de la cosmovisión, el territorio y la autonomía cultural. Se concluye que la vinculación universidad-comunidad, cuando se fundamenta en principios de reciprocidad, cuidado y reconocimiento epistemológico, puede constituirse en un acto político de creación de conocimiento intercultural.
Abstract (Portuguese)
Na América Latina, a vinculação universidade-comunidade consolidou-se como uma função substantiva da educação superior; no entanto, com frequência é implementada a partir de enfoques instrumentais que reproduzem lógicas extrativistas do conhecimento, do território e dos saberes dos povos e nacionalidades. No âmbito do turismo comunitário e vivencial, esse risco se intensifica quando as experiências formativas priorizam resultados acadêmicos ou profissionais em detrimento do cuidado com as relações interculturais e da reciprocidade com os povos e nacionalidades. Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo analisar uma experiência de vinculação universidade-comunidade desenvolvida com o povo Kichwa Saraguro, na comunidade Las Lagunas Chukidel Ayllullakta, compreendendo a vinculação como uma prática ética e política de criação de conhecimento, mais do que como um dispositivo técnico de aprendizagem. O estudo adota uma abordagem qualitativo-interpretativa, articulando etnografia, netnografia e pesquisa-ação, com o objetivo de acompanhar e refletir criticamente sobre os processos de interação, cuidado e co-construção de sentidos entre estudantes, docentes e atores dos povos e nacionalidades. A análise apoia-se na ressignificação intercultural do modelo SECI de gestão do conhecimento, reinterpretado a partir da lógica simbólica da Chakana andina e do ciclo agrícola, não como um esquema instrumental, mas como um dispositivo ético-epistemológico que regula tempos, limites e responsabilidades na relação universidade-comunidade. Os resultados evidenciam que a articulação SECI-Chakana favorece uma compreensão da vinculação como um processo relacional e situado, que transita do encontro e da experiência compartilhada para a reflexão crítica, o reconhecimento de tensões e a projeção responsável de ações futuras. Mais do que centrar-se na aquisição de competências, a experiência analisada coloca no centro o cuidado do vínculo, a prevenção do extrativismo simbólico e a construção de critérios éticos para uma prática do turismo comunitário respeitosa da cosmovisão, do território e da autonomia cultural. Conclui-se que a vinculação universidade-comunidade, quando fundamentada em princípios de reciprocidade, cuidado e reconhecimento epistemológico, pode constituir-se em um ato político de criação de conhecimento intercultural.
Abstract (English)
In Latin America, university–community engagement has been consolidated as a substantive function of higher education; however, it is often implemented through instrumental approaches that reproduce extractivist logics of knowledge, territory, and the knowledges of peoples and nationalities. In the context of community-based and experiential tourism, this risk intensifies when educational experiences prioritize academic or professional outcomes over the care of intercultural relationships and reciprocity with peoples and nationalities. In response to this scenario, the present study aims to analyze an experience of university–community engagement developed with the Kichwa Saraguro people, in the community of Las Lagunas Chukidel Ayllullakta, understanding engagement as an ethical and political practice of knowledge creation, rather than merely a technical learning device. The study adopts a qualitative-interpretive approach, combining ethnography, netnography, and action research, with the aim of accompanying and critically reflecting on processes of interaction, care, and co-construction of meaning among students, faculty, and actors from peoples and nationalities. The analysis is grounded in an intercultural re-signification of the SECI knowledge management model, reinterpreted through the symbolic logic of the Andean Chakana and the agricultural cycle—not as an instrumental scheme, but as an ethical-epistemological device that regulates temporalities, boundaries, and responsibilities in the university–community relationship. The results show that the SECI–Chakana articulation fosters an understanding of engagement as a relational and situated process that moves from encounter and shared experience to critical reflection, recognition of tensions, and the responsible projection of future actions. Rather than focusing on the acquisition of competencies, the analyzed experience places at its center the care of relationships, the prevention of symbolic extractivism, and the construction of ethical criteria for a practice of community-based tourism that respects cosmovision, territory, and cultural autonomy. It is concluded that university–community engagement, when grounded in principles of reciprocity, care, and epistemological recognition, can constitute a political act of intercultural knowledge creation.
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- Translated title (Portuguese)
- cuidado, reciprocidade e não-extrativismo desde a chakana andina: a vinculação universidade-comunidade como prática ética de criação de conhecimento
- Translated title (English)
- care, reciprocity, and non-extractivism from the andean chakana: university–community engagement as an ethical practice of knowledge creation