Published May 7, 2026 | Version v1
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Cultura, Território e Participação: Guia Prático

Description

Prefácio
Este livro resulta da convicção de que a investigação sobre cultura e território cumpre
plenamente a sua função quando é capaz de dialogar com quem, no terreno, toma
decisões, executa os projetos e quem deles beneficia. Não se trata de uma convicção nova.
Com efeito, muito se tem refletido sobre a relação entre conhecimento e ação, entre academia
e sociedade, entre o que se sabe e o que se faz. Não obstante, esta reflexão ganha
renovada pertinência quando o território em causa é de baixa densidade, marcado por
assimetrias profundas, por um declínio demográfico acentuado e por comunidades que,
apesar de tudo, continuam a construir sentido, a criar laços e a habitar os lugares com
uma tenacidade que os números raramente conseguem captar.
É nessa tensão entre a fragilidade estrutural e a vitalidade das práticas locais, entre
a lógica dos programas de financiamento e a complexidade das dinâmicas comunitárias,
entre o que é facilmente mensurável e o que é simbolicamente relevante, que este livro se
constrói. Resulta de um percurso de investigação colaborativa desenvolvido no âmbito de
dois programas de financiamento europeu, o Programa de Cooperação Transfronteiriça
Espanha-Portugal (POCTEP) e o Programa Portugal Inovação Social (PIS), tomando como
território de análise o distrito de Castelo Branco. O nosso objetivo, com esta publicação,
é ir além do que habitualmente se espera de um relatório de investigação ou de uma
publicação académica: o que pretendemos é criar um instrumento de trabalho no qual
se reflete sobre o discurso dos intervenientes, orientações para futuras políticas públicas
para a área da cultura e modelos de avaliação de impacto dessas políticas que sejam
mais participativos. (...)

O livro organiza-se em seis capítulos que percorrem o enquadramento político, a
avaliação dos impactos identitários e participativos, passando pela problematização teórica
dos territórios de baixa densidade, pela proposta metodológica do “Living Lab”, pelo
mapeamento dos projetos financiados e pela reconfiguração dos modelos de avaliação
do impacto cultural. (...)

Lidos em conjunto, estes seis capítulos não constroem apenas um retrato do distrito
de Castelo Branco, nem um diagnóstico dos programas POCTEP e PIS. Constroem um argumento:
o de que repensar os processos de avaliação de impacto cultural implica reconhecer
que a cultura é atravessada por relações, contextos e temporalidades e, compreender que
essa mudança não é apenas técnica, mas política e institucional. É um argumento que se
dirige a todos aqueles que, nos territórios e nas instituições, trabalham para que a cultura
seja, efetivamente, um recurso de desenvolvimento, de coesão e de cidadania.

 

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