Domesticidade burguesa e as impurezas do Modernismo no Brasil
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Neste trabalho pretendo argumentar que a impureza do modernismo brasileiro não se restringiu ao aspecto compositivo da arquitetura, mas envolveu a manutenção da ordem espacial tripartida do programa residencial de matriz burguesa, dividido em ambientes de estar, íntimo e de serviço, bem como a persistência da implantação isolada no lote em bairros-jardins, distantes do centro e áreas de produção, além do sentido identitário e representativo da casa para seu proprietário e sua família. Essa permanência não pode ser creditada apenas às demandas da clientela, na medida em que foi identificada nas residências do/as próprio/as arquiteto/as e nas apresentações que faziam de seus projetos. Em diálogo com a proposta desta sessão, intento apresentar os diferentes graus de pureza dessas residências, interpretando seus espaços, móveis e objetos, articulando o discurso arquitetônico modernista com os ideais de domesticidade em voga desde a perspectiva da cultura material e de uma abordagem interseccional. Para tanto, foram selecionados projetos e obras residenciais unifamiliares feitas para clientes privados e para o/as próprio/as arquiteto/as publicados na prestigiosa revista Acrópole entre 1940 e 1960, procurando recuperar por meio do cruzamento com outras fontes documentais — manuais de dona de casa, revistas de variedades e femininas, literatura, entre outras — a vida cotidiana de seus moradores, suas práticas e representações.
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16° Seminário Docomomo Brasil: anais: O Futuro do Passado: Arquitetura Moderna Viva e Urbana [livro eletrônico] / organização: Carlos Eduardo Comas et al. 1. ed. Porto Alegre, RS: Docomomo Brasil, 2026. ISBN: 978-65-993024-6-6.Files
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