PERCEPÇÃO DOS FARMACÊUTICOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE FRENTE AO CUIDADO FARMACÊUTICO A PACIENTES COM DIABETES: ESTUDO QUALITATIVO
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Introdução: O Diabetes Mellitus é uma doença crônica prevalente, com complicações graves e altos custos em saúde. Em meio a esse cenário, o cuidado farmacêutico oferece uma abordagem integral ao paciente, focando na otimização da farmacoterapia e no monitoramento glicêmico. Objetivos: O presente trabalho objetivou analisar a percepção dos profissionais sobre o cuidado farmacêutico a pacientes com diabetes em Unidades de Atenção Primária à Saúde do município de Fortaleza-CE. Métodos: É um estudo qualitativo, de cunho exploratório e descritivo, no qual entrevistas semiestruturadas com farmacêuticos foram realizadas e analisadas pelo software IRAMUTEQ para explorar frequências de palavras e realizar análises multivariadas. A Classificação Hierárquica Descendente (CHD) agrupou termos em classes relacionadas e uma nuvem de palavras foi gerada para interpretação visual dos dados. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará. Resultados e Discussão: A CHD revelou três classes temáticas. A Classe 1, com 39,08% do corpus analisado, está associada a questões estruturais e organizacionais, como a disposição dos profissionais nos espaços de atendimento e a sobrecarga de trabalho. Palavras como "Ficar", "Sala" e "Atender" indicam desafios na distribuição das atividades, demonstrando a necessidade de reorganização dos fluxos de trabalho. A Classe 2, com 31,79% do corpus, relaciona-se à atuação do farmacêutico clínico e à sua integração na Rede de Atenção à Saúde. Expressões como "Realizar", "Saúde" e "Unidade" evidenciam a importância da farmácia clínica, além de destacar a importância da comunicação entre os profissionais para um atendimento mais eficiente. Já a Classe 3, com 30,13% do corpus, trata do manejo da insulinoterapia e da adesão medicamentosa. Termos como "Insulina", "Medicamento" e "Adesão" indicam as principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes, especialmente no uso correto dos medicamentos. A nuvem de palavras destacou termos como “Paciente”, “Farmácia” e “Clínica”, reforçando a centralidade do cuidado ao paciente e a relevância do farmacêutico nesse processo. Embora o papel do farmacêutico seja reconhecido, ainda há desafios na articulação da equipe multiprofissional e na estruturação do fluxo de atendimento. Medidas organizacionais e educacionais podem otimizar o serviço, promovendo maior adesão terapêutica e melhor acompanhamento dos pacientes. Conclusão: Dessa forma, os resultados evidenciam que o cuidado farmacêutico é reconhecido como essencial, mas enfrenta desafios estruturais e organizacionais na atenção primária. Há necessidade de melhor articulação entre profissionais para otimizar o fluxo de atendimento e garantir a adesão ao tratamento. Medidas como capacitação da equipe e diretrizes mais claras para encaminhamento podem fortalecer o cuidado farmacêutico, promovendo um manejo mais eficaz dos pacientes com diabetes.
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