Published March 6, 2026 | Version v1
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IMPACTOS DOS DISRUPTORES ENDÓCRINOS NO DESENVOLVIMENTO DE SÍNDROME METABÓLICA: UMA REVISÃO DE LITERATURA

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Introdução: A síndrome metabólica compreende uma combinação de fatores, como obesidade, resistência à insulina, dislipidemia e níveis elevados de triglicerídeos. Disruptores endócrinos (EDCs) são substâncias químicas sintéticas que interferem no funcionamento do sistema endócrino por mimetizarem hormônios e se ligarem aos seus receptores, aumentando o risco dessa síndrome. Objetivo: Examinar na literatura a correlação entre a exposição a EDCs e o desenvolvimento de patologias metabólicas. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliográfica nas bases de dados Pubmed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Portal de Periódicos da CAPES, utilizando-se os Descritores em Ciência da Saúde: “Endocrine Disruptors” AND “Metabolic Syndrome”. Assim, identificou-se 56 artigos, dos quais foram selecionados 11 após aplicação dos seguintes critérios de inclusão: artigos disponíveis na íntegra, restritas a publicação nos últimos 5 anos, excluindo-se teses, dissertações e revisões de literatura. Resultados e Discussão: Dos 11 estudos selecionados, observou-se que muitos substâncias químicas, considerados poluentes, interrompem a ação dos hormônios, como o bisfenol, ftalatos, agrotóxicos e pesticidas (Evteeva et al., 2021). Os EDCs induzem desequilíbrios metabólicos através de processos inflamatórios envolvendo citocinas e adipocinas. Pesquisas recentes demonstraram que o período intrauterino e neonatal são os mais críticos para o impacto dos EDCs, pois propiciam a ocorrência de alterações na expressão gênica, levando a disfunções irreversíveis dos tecidos afetados, bem como ao aumento da suscetibilidade a doenças, como obesidade, diabetes mellitus tipo 2, esteatose hepática e outras (Evteeva et al., 2021). Níveis aumentados de TNF-α na obesidade, combinados com a redução da expressão de adiponectina, desencadeiam a ativação do fator de transcrição nuclear NF-κB, que aumenta a formação de espécies reativas de oxigênio e a expressão de citocinas, culminando no excesso de glicose e ácidos graxos livres, além de resistência à insulina (Gómez-Olarte et al., 2024). Há ampla evidência in vitro e in vivo de ocorrência de uma atividade estimulante na proliferação de adipócitos e armazenamento de lipídios, gerando hipertrofia nessas células e inflamação crônica do tecido adiposo. Esse fenômeno culmina em um efeito de secretoma de adipócitos, ou seja, a mistura de hormônios, adipocinas e fatores de crescimento (Marotta et al., 2022). Conclusão: O impacto da poluição ambiental nos distúrbios metabólicos vem tornando-se uma preocupação de saúde pública exponente, tendo em vista a relação da incidência desses efeitos com o aumento de inúmeras patologias crônicas. A exposição às EDCs pode, portanto, levar a alterações metabólicas permanentes, promovendo assim o desenvolvimento de inúmeras patologias de causas multifatoriais, envolvendo a interação entre genética, estilo de vida e meio ambiente (Khalil et al., 2023).

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