Published February 10, 2026 | Version v1
Journal article Open

Este artigo discute a exclusão da população negra brasileira no processo de transição do Império para a República, destacando a permanência de estruturas racistas que atravessaram o século XIX e continuam a marcar a sociedade contemporânea. A independência de 1822 e a abolição de 1888, embora representadas como marcos de liberdade, não significaram cidadania plena para os negros, que permaneceram sem acesso à terra, educação, moradia e participação política. Ao contrário, elites brancas favoreceram a imigração europeia como estratégia de "embranquecimento", reforçando estigmas raciais e marginalizando os libertos. A análise evidencia que tanto o Império quanto a República mantiveram práticas de exclusão, sustentadas por interesses oligárquicos e pela consolidação do racismo estrutural. No caso da Paraíba, observa-se a continuidade de famílias tradicionais no poder, que garantiram a reprodução de privilégios e a invisibilidade da contribuição negra para a cultura e identidade regional. Apesar disso, a resistência negra se manifestou em múltiplas formas, como quilombos, irmandades religiosas, imprensa e expressões culturais afro-brasileiras, que se transformaram em pilares da identidade nacional. A investigação, portanto, revela que a cidadania no Brasil oitocentista foi construída de modo seletivo, excluindo aqueles que sustentaram a economia e resistiram à opressão. Conclui-se que revisitar esse passado não é apenas recuperar memórias de exclusão, mas também valorizar a luta e o protagonismo da população negra, cuja resistência permanece como fundamento para a construção de um futuro democrático e igualitário.

Authors/Creators

Description

Este artigo discute a exclusão da população negra brasileira no processo de transição do Império para a República, destacando a permanência de estruturas racistas que atravessaram o século XIX e continuam a marcar a sociedade contemporânea. A independência de 1822 e a abolição de 1888, embora representadas como marcos de liberdade, não significaram cidadania plena para os negros, que permaneceram sem acesso à terra, educação, moradia e participação política. Ao contrário, elites brancas favoreceram a imigração europeia como estratégia de “embranquecimento”, reforçando estigmas raciais e marginalizando os libertos. A análise evidencia que tanto o Império quanto a República mantiveram práticas de exclusão, sustentadas por interesses oligárquicos e pela consolidação do racismo estrutural. No caso da Paraíba, observa-se a continuidade de famílias tradicionais no poder, que garantiram a reprodução de privilégios e a invisibilidade da contribuição negra para a cultura e identidade regional. Apesar disso, a resistência negra se manifestou em múltiplas formas, como quilombos, irmandades religiosas, imprensa e expressões culturais afro-brasileiras, que se transformaram em pilares da identidade nacional. A investigação, portanto, revela que a cidadania no Brasil oitocentista foi construída de modo seletivo, excluindo aqueles que sustentaram a economia e resistiram à opressão. Conclui-se que revisitar esse passado não é apenas recuperar memórias de exclusão, mas também valorizar a luta e o protagonismo da população negra, cuja resistência permanece como fundamento para a construção de um futuro democrático e igualitário.

Files

População+Negra+na+transição+do+Império+à+República+marginalização,+cultura+política+e+resistência+na+Paraíba+oitocentista+-+Natiane+De+Carvalho.docx.pdf