Published February 6, 2026 | Version v1
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PERSPECTIVAS DIAGNÓSTICAS NO TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR: A INTERFACE ENTRE O LABORATORIAL E A BIOMEDICINA

Description

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição médica complexa que representa um desafio clínico relevante para a saúde pública. Apesar de sua alta prevalência e impacto, o diagnóstico do TDM ainda se baseia, predominantemente, em critérios clínicos indiretos, como o relato de sintomas emocionais e comportamentais do paciente, havendo, muitas vezes, dificuldades de verbalização e interpretações variadas por parte dos profissionais da saúde. Essa particularidade pode resultar em diagnósticos tardios ou imprecisos, contribuindo para o agravamento do quadro clínico e dificultando intervenções terapêuticas mais eficazes (Dimer, 2022).

Nesse contexto, a Biomedicina se destaca como uma área estratégica para o aprimoramento do diagnóstico do TDM, por meio da identificação de biomarcadores, da realização de exames complementares e da incorporação de inovações tecnológicas. A busca por biomarcadores tem se mostrado promissora, pois contribui para diagnósticos mais precoces, objetivos e personalizados, além de possibilitar o monitoramento da resposta ao tratamento e da progressão da doença. Esse avanço exige uma abordagem mais ampla dos sistemas imunológicos e neurobiológicos envolvidos no transtorno, incluindo vias inflamatórias, estresse oxidativo e redes celulares complexas, como discutido por Maes et al. (2012), que ressaltam a necessidade de integrar múltiplos biomarcadores e técnicas de biologia de sistemas para melhor compreensão e aprimoramento diagnóstico. Os exames laboratoriais e de imagem também desempenham papel essencial no acompanhamento clínico, especialmente na exclusão de diagnósticos diferenciais que possam se manifestar com sintomas semelhantes aos da depressão. A avaliação integrada da condição física e neurológica do paciente contribui para uma compreensão mais ampla do quadro clínico e para a definição de condutas terapêuticas mais adequadas (Souza et al., 2023).

Além disso, os avanços tecnológicos têm transformado o cenário da saúde mental. Ferramentas como a inteligência artificial aplicada à análise de dados biológicos, os biomarcadores digitais e as redes de interação proteica estão ampliando as possibilidades da Biomedicina no diagnóstico e na compreensão do TDM. Dessa forma, este capítulo tem como objetivo apresentar as principais contribuições da Biomedicina para o diagnóstico do Transtorno Depressivo Maior, abordando três eixos centrais: a identificação de biomarcadores inflamatórios e proteicos, a utilização de exames complementares para suporte diagnóstico e acompanhamento clínico, e as inovações tecnológicas que vêm remodelando a forma de detectar e compreender a depressão.

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