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Teoria da dependência e América Latina. Análise crítica na perspectiva da Revolução Permanente

  • 1. Marxismo. Debate e Crítica - Portal independente de pesquisa e divulgação científica. Prof. Dr. em sociologia, aposentado pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, São Paulo, Brasil

Description

O livro Teoria da Dependência e América Latina aborda aspectos dessa "teoria" - sua gênese, desenvolvimento, principais correntes e a relação com as formulações trotsquistas. Na realidade, a "teoria da dependência" foi uma produção teórica voltada sobre a América Latina com grande projeção entre as décadas de 1960 e 1980. O presente livro guarda um caráter ensaístico, uma vez que muitas dimensões tratadas exigiram ainda maior aprofundamento e análise, em trabalhos posteriores. O material traz resultados parciais das discussões realizadas entre 2017 e meses iniciais de 2018, no Grupo de Pesquisa América  Latina e Marx: Movimentos Sociais, Partidos, Estado e Cultura (CNPq), coordenado por Luiz Fernando da Silva, professor e pesquisador na época da Universidade Estadual Paulista - UNESP, São Paulo, Brasil.

A produção do ensaio retomou algumas teses que foram inicialmente elaboradas na década de 1990. Basicamente, no período, foi evidenciada, especialmente, a corrente que se desenvolveu com Fernando Henrique Cardoso, um dos precursores da "teoria da dependência", embora também tenha se baseado na perspectiva dependentista  de Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos. A problematização central residia no deslocamento teórico e político que ocorreu na área acadêmica, mas também em agrupamentos de política esquerda, no Brasil e em outros países latino-americanos. Uma das teses centrais,  formuladas em 1992, levou ao livro Pensamento social brasileiro: os marxistas acadêmicos entre 1960 e 1980 (Luiz Fernando da Silva, Corações e Mentes, 2003) e consistia basicamente no seguinte: a localização temática e epistemológica do chamado "marxismo americano", que segue a linha do dependentismo latino-americano, a partir da década de 1970,  passou a adotar o conceito de sociedade civil como chave teórico-política, abandonando os conceitos de classes sociais.  A consequência dessa redefinição foi adotar uma perspectiva liberal.

O livro , além de analisar  a trajetória dessa corrente teórica, também localizou as suas relações com a teoria da revolução permanente e a teoria do desenvolvimento desigual e combinada. Os teóricos da dependência, apesar de não mencionarem, foram influenciados pela perspectiva trotskista, de maneira direta ou indireta, mas não assumiram a essência revolucionária dos conceitos em suas teses. Esse foi o eixo principal desenvolvido no trabalho. 

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Identifiers

ISBN
978-85-45560-02-9

Dates

Issued
2018-05-01
Livro que analisa o desenvolvimento da teoria da dependência na América Latina

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