O TEATRO NA EDUCAÇÃO POPULAR: diálogos entre Freire e Boal em uma experiência no Bairro de Mandacaru
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Description
“Digam que eu acreditei no teatro como
um instrumento de educação do povo”.
Paschoal Carlos Magno
Nosso trabalho procura concretizar dois objetivos simultâneos, de caráter prático-teórico:
a) o de ser fiel à dimensão informal, aberta e problematizadora de nossa experiência, quando se valorizou, especialmente, o caráter de pesquisa participante;
b) acrescentar à informalidade pedagógica o rigor descritivo metodológico.
Nosso esforço para integrar o sistema Paulo Freire de Educação de Adultos, através de múltiplas práticas educativas, com diversas experimentações de Teatro do Oprimido, conforme as propostas de Augusto Boal, se constitui um desafio permanente.
Por termos estudado, atentamente, as teorias de Freire e de Boal, descobrimos que essa fundamentação teórica poderia ser tornada prática em um processo de alfabetização, juntando as técnicas de palavração e do teatro para operacionalizar as nossas formulações.
Delimitamos, assim, o nosso estudo ao Bairro de Mandacaru para que fosse possível avaliar o desenvolvimento do processo em todos os seus aspectos.
Este lócus faz parte do município de João Pessoa, capital da Paraíba, cidade com uma população aproximada de 350 mil habitantes e situada no litoral, onde se concentra a mais forte atividade industrial do Estado, caracterizada como um dinâmico confluente de população atraída por melhores perspectivas de oferta de trabalho.
Cidade de porte médio, apresenta um acentuado ritmo de empobrecimento urbano, desde que recebe, com assiduidade, um expressivo contingente de imigrantes deslocados das zonas rurais, o qual é incapaz de absorver.
Tal oferta de mão-de-obra, desempregada ou em atividades informais, passa a se abrigar em várias favelas.
Há de se levar em conta, ainda, o “mito da marginalidade” (Perlman, 1977), criado pelas classes dominantes para justificarem a exploração e exclusão dos moradores das favelas dentro do sistema social vigente. Essas favelas não se encontram à margem ou mesmo separadas do sistema, mas marginalizadas por força da estrutura, enquanto consequência da ideologia dominante.
Daí, portanto, decorre a “marginalização” das favelas em vários bairros da cidade, sem uma formal sistemática educacional, sem infraestrutura básica de saúde, habitação e saneamento. Dentro desses parâmetros, está o Bairro de Mandacaru, com suas favelas, dentre as quais se destacam as de Beira Molhada, Alto do Céu, Ipês, Salina
Ribamar e Vila Japonesa.
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