O papel em manuscritos musicais portugueses 1640-1710
Description
O papel de música tem de ser de qualidade suficiente para permitir a cópia em ambos os lados de uma folha, uma vez que a notação musical, como as cabeças das notas, implica a aplicação de uma grande quantidade de tinta na página. O musicólogo Robert Thompson demonstrou que, na segunda metade do século XVII, em Inglaterra, um tipo de papel produzido na região de Angoumois, no sudoeste da França, e mais tarde na República Holandesa, conhecido como “foolscap”, era considerado adequado para música. Em Portugal, era frequentemente (embora nem sempre) utilizado um tipo de papel semelhante, de origem na região genovesa do norte de Itália conhecido no século XVIII como “papel de Génova fino” ou “papel florete”.
Através de estudos de caso de dois conjuntos de manuscritos que pertenciam a compositores – os cartapácios na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e o MS 964 no Arquivo Distrito de Braga – este estudo procura determinar como e quando o papel foi utilizado. No processo, procura-se abordar outras questões, incluindo a forma com que os músicos adquiriam papel durante esse período, recorrendo a fontes relevantes para o estudo do comércio do papel no século XVII, bem como a uma série de documentos administrativos portugueses, nomeadamente os Livros de notas do Cartório Notarial de Lisboa (Arquivo Nacional da Torre do Tombo) cuja codicologia parece reflectir a forma como os fornecimentos de “papel de Génova fino” chegavam aos consumidores.
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Music paper must be of sufficient quality to allow copying onto both sides of a sheet, since musical notation, such as note heads, involves applying a large amount of ink to the page. The musicologist Robert Thompson has shown that in the second half of the 17th century in England, a type of paper produced in the Angoumois region of southwestern France and later in the Dutch Republic, known as “foolscap”, was considered suitable for music. In Portugal, a similar type of paper was often (though not always) used, originating in the Genoese region of northern Italy and known in the 18th century as “papel de Génova fino” or “papel florete”.
Through case studies of two sets of manuscripts or collections that belonged to composers – the cartapácios in the General Library of the University of Coimbra and MS 964 in the Braga District Archive – this study seeks to determine how and when the paper in these manuscripts was used. In the process, it seeks to address other questions such as how musicians acquired paper in the period, using sources relevant to the study of the paper trade in the 17th century, as well as a series of Portuguese administrative documents, namely the Livros de notas of the Cartório Notarial de Lisboa (Arquivo Nacional da Torre do Tombo) whose codicology seems to reflect closely the form in which “Papel de Génova fino” reached consumers.
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