Uso ritual das línguas bantu nas cerimônias do lobolo e da kutchinga
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Esse texto aborda um exemplo do uso ritual das línguas bantu moçambicanas em cerimônias familiares de casamento tradicional, ou lobolo, e da purificação das viúvas, ou kutchinga. Tais ritos configuram domínios de uso linguístico favoráveis à manutenção e vitalidade das línguas bantu moçambicanas mesmo entre as jovens gerações, uma vez que se evoca a presença dos espíritos antepassados e, devido a isso, a língua portuguesa não têm a mesma prevalência que teria em outros contextos de comunicação. Por meio deste relato, busca-se refletir sobre a importância do método etnográfico para a apreensão, decodificação e tradução cultural dos repertórios metacognitivos nativos, especialmente de áreas de descolonização recente, que sofreram forte colonização linguística pela dominação cultural e pela exploração na África subsaariana. O aporte teórico advém da Etnografia da Fala e da Sociolinguística Interacional de base interpretativa (Hymes, 1962 e 1974; Go mann, 1979; Gumperz, 1982, Briggs, 1986). Argumenta-se que, no contato plurilíngue em Moçambique, o uso das línguas bantu apresenta-se como continuidade e lealdade a uma estrutura de pertencimento e de prolongamento das tradições bantu no sentido de continuamente reconstruir o “ubuntu”, princípio segundo o qual a comunidade é lógica e historicamente anterior ao indivíduo. Com base nisso, a primazia é atribuída à comunidade, à organização das famílias, do parentesco, do clã, da aldeia e ao vínculo inquebrantável que os mantêm unidos – pela linguagem - desde tempos imemoriais.
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- Translated title (English)
- Ritual use of Bantu languages at the lobolo and the kutchinga ceremonies
Related works
- Is supplement to
- Journal: 2316-2767 (EISSN)
Dates
- Accepted
-
2018-06-25
- Submitted
-
2018-05-15
References
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