Published September 9, 2025 | Version v1

A RELAÇÃO DA PROTEINÚRIA COM O PROGNÓSTICO DA DOENÇA RENAL CRÔNICA EM GATOS

Description

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma das enfermidades mais prevalentes em felinos, afetando 30% a 40% dos gatos acima de dez anos e representando causa significativa de mortalidade na espécie. Definida por alterações morfofuncionais persistentes, sua progressão irreversível compromete a função renal e reduz a expectativa de vida. Entre os parâmetros de estadiamento recomendados pela International Renal Interest Society (IRIS), destaca-se a proteinúria, considerada não apenas marcador prognóstico, mas também fator ativo na patogênese da lesão renal. Mesmo valores discretos de relação proteína-creatinina urinária (RUPC), entre 0,2 e 0,4, já se correlacionam com maior risco de evolução para estágios avançados da DRC e redução da sobrevida. A proteinúria em gatos pode ter origem glomerular, devido à perda da integridade da barreira de filtração, ou tubular, pela falha na reabsorção proteica. Lesões inflamatórias, hipertensão e infecções são causas comuns. Estudos demonstram que a persistência da proteinúria está associada a fibrose intersticial e resposta inflamatória, acelerando a progressão da doença. Além disso, a magnitude da proteinúria relaciona-se diretamente ao tempo de vida: gatos com RUPC <0,2 têm sobrevida mediana de 1000 dias, enquanto aqueles com RUPC >0,4 sobrevivem em média 400 dias. O diagnóstico exige confirmação da persistência da proteinúria por meio da RUPC, considerada padrão-ouro, associada a outros biomarcadores como creatinina e SDMA. Pequenas variações já são clinicamente significativas e devem ser monitoradas em série. O tratamento visa reduzir a proteinúria e retardar a progressão da DRC, envolvendo dietas específicas, inibidores da ECA, suplementação com ácidos graxos ômega-3 e manejo de doenças concomitantes. Conclui-se que a proteinúria representa fator de risco independente e precoce para a progressão da DRC em felinos, justificando monitoramento sistemático e intervenções precoces. Sua detecção rotineira, aliada a estratégias terapêuticas adequadas, pode melhorar significativamente o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.

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Conference proceeding: 10.5281/zenodo.17082072 (DOI)
Conference proceeding: 978-65-01-65515-4 (ISBN)