Published August 16, 2025 | Version v1

Minerais estratégicos em jogo: o interesse dos EUA no subsolo brasileiro

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A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, acompanhada por sinais explícitos de interesse no subsolo nacional, evidencia a utilização dos minerais críticos como moeda de negociação e insere o Brasil na disputa geoeconômica por esses recursos, especialmente na rivalidade entre China e EUA. Definidos pela Agência Internacional para as Energias Renováveis como insumos de produção concentrada, de difícil extração ou provenientes de reservas em declínio, minerais como cobalto, níquel, cobre, lítio e terras raras são essenciais tanto para a transição energética quanto para tecnologias de ponta, incluindo inteligência artificial, sistemas de defesa, semicondutores e infraestrutura digital. Entre 2013 e 2022, a energia solar e a eólica receberam investimentos superiores a US$ 2,9 trilhões, ampliando a demanda mineral, dado que turbinas eólicas e veículos elétricos requerem múltiplas vezes mais insumos do que suas alternativas tradicionais. Paralelamente, o avanço da inteligência artificial intensifica a pressão sobre as cadeias de suprimento, uma vez que, embora associada ao ambiente digital, a IA depende de infraestrutura física massiva — composta por data centers, cabos de fibra óptica e sistemas de refrigeração — construída a partir de minerais estratégicos, em grande parte extraídos do Sul Global. Nesse contexto, a supremacia chinesa se destaca: além de liderar a geração de energia renovável, o país controla cadeias produtivas de minerais críticos, respondendo por cerca de 68% da produção mundial de terras raras em 2023. Essa concentração tem levado os Estados Unidos a firmar acordos bilaterais e a mobilizar instrumentos comerciais e diplomáticos, incluindo negociações com a Ucrânia e até condicionantes frente à China. Estudos recentes indicam que o Brasil pode deter a segunda maior reserva mundial de terras raras, reforçando seu papel estratégico nesse tabuleiro. Entretanto, abundância não se traduz automaticamente em soberania: caberia ao país restringir-se à condição de fornecedor passivo de matérias-primas ou buscar uma posição ativa na geopolítica mineral, agregando valor e condicionando acordos a contrapartidas tecnológicas, ambientais e sociais?

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Minerais estratégicos em jogo - o interesse dos EUA no subsolo brasileiro.pdf

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