COVID-19: CLÍNICA E DIAGNÓSTICO EM CRIANÇAS
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Introdução: O Covid-19 espalhou-se rapidamente em nível pandêmico no final de 2019, com alta virulência e contágio. Desde assintomático a sintomas respiratórios leves, manifestou-se até como pneumonia grave e insuficiência respiratória aguda em alguns indivíduos, trazendo a sobrecarga de hospitais e de recursos. Em crianças, houve manifestações específicas e diferentes de adultos, como a síndrome inflamatória multissistêmica. A maior transmissibilidade entre crianças teve o adulto como carreador, em exposição doméstica. Ainda se observou que crianças com comorbidades prévias tiveram maiores taxas de desfecho grave (óbitos, hospitalização, necessidade de cuidados em unidades intensivas e/ou uso de ventilação mecânica) do que crianças previamente hígidas. Fatores como condições genéticas, neurológicas, cardíacas congênitas, obesidade, doenças pulmonares crônicas, doença falciforme, imunossupressão e vacinação ausente ou atrasada podem ser citados. O espectro clínico é então tão diverso que dificulta e atrasa o diagnóstico, seja por sua similaridade com a síndrome gripal por influenza seja por infecções pouco sintomáticas e/ou não graves. Objetivo: compreender e analisar os aspectos clínicos e de diagnóstico da infecção aguda por COVID-19 em crianças (< 18 anos de idade). Metodologia: Trata-se de revisão de literatura integrativa a partir de artigos publicados nas bases científicas de dados da Scielo, da PubMed e da BVS. A busca dos artigos ocorreu no período de janeiro a março de 2024, utilizando-se dos descritores em inglês “Covid-19”, “children” e “symptoms” e “diagnosis” e seus correspondentes em português. Foram incluídos artigos completos e publicados nos últimos cinco anos, no período de 2019 a 2024, com total de 289 estudos. Após leitura dos títulos e resumos, excluíram-se estudos que abordavam outros critérios da doença, seguida por escolha de 05 artigos para leitura na íntegra. Resultados e Discussão: Os dados obtidos demonstraram que o espectro clínico das infecções por SARS-CoV-2 em crianças varia de assintomático a doença grave. Em revisão de prontuário eletrônico de 82.798 crianças dos Estados Unidos com infecção por Covid-19 confirmada laboratorialmente entre março de 2020 a dezembro de 2021, 66% eram assintomáticos, 27% eram leves, 5% eram moderados (como pneumonia, gastroenterite e desidratação) e 2% eram graves (cuidados em UTI ou suporte respiratório). Não se estabelece uma evidência tão clara que justifique o motivo de se ter doença mais grave em adultos do que em crianças; talvez uma resposta imunológica menos exacerbada e com menor liberação de citocinas possa estar envolvidas. Clinicamente, os sintomas mais encontrados em crianças e adolescentes foram febre, tosse e falta de ar. Outros achados incluíram: mialgia, coriza, cefaléia, náuseas/vômitos, dor abdominal, odinofagia, fadiga, ageusia e anosmia. Mialgia, dor de garganta e dor de cabeça foram relatados com maior frequência em crianças > 10 anos (30 a 40%). Sintomas gastrointestinais (diarréia, dor abdominal e vômitos) também foram relatados, mesmo que sem acometimento respiratório. Nas variantes Delta e Omicron, observaram-se mais congestão nasal, cefaléia, espirros e dor de garganta. A maioria das crianças se recupera dentro de uma a duas semanas. Um adendo importante: em lactentes jovens (< 1 ano), apresentações adicionais à Covid-19 incluíram febre sem sinais localizatórios, diminuição ou não aceitação alimentar, intussuscepção intestinal, bronquiolite e apneia; porém, 55% tinham doença grave. As complicações reconhecidas por Sars-Cov-2 incluem a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C) e condição pós-COVID-19 (sintomas físicos ou mentais após >4 semanas da infecção aguda). Achados laboratoriais podem incluir leucopenia com linfopenia e proteína c-reativa elevada. Como critérios diagnósticos, ressaltam-se a presença de sintomas condizentes com Covid-19 (independente do estado de vacinação) e a exposição a um contato próximo confirmado nos últimos 14 dias. Para fins de internação hospitalar, vale ainda testar influenza e VSR por meio de testes rápidos. O padrão de referência para Covid-19 é o PCR (reação em cadeia de polimerase reversa), seja para infecção aguda como para assintomáticos com suspeição; os testes de antígeno possuem menor sensibilidade (cerca de 64%) e podem ser negativos a depender do tempo de coleta e dos sintomas. A confirmação por outros vírus se faz necessária diante de manejos diferentes em crianças. Ademais, não se faz rotineiro um exame de imagem, seja por raio-x ou tomografia de tórax, indicado apenas se suspeita de envolvimento de vias aéreas inferiores, risco para complicações ou agravamento da ventilação/perfusão. Deve se individualizar de acordo com os dados clínicos do paciente. Conclusão/Considerações Finais: Os sintomas específicos da Covid-19 variam conforme a idade. A apresentação clínica vai desde assintomática até a se sobrepor a outras síndromes (pneumonia, bronquiolite, crupe, influenza). Faz-se necessária a distinção diagnóstica entre elas para melhor manejo nesta faixa etária.
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