Avaliação dos impactos de soluções tecnológicas geradas pela EMBRAPA: tecnologia agroindustrial de extração e envase de água de coco
Description
RELATÓRIO TÉCNICO CONCLUSIVO
Avaliação dos impactos de soluções tecnológicas geradas pela EMBRAPA: tecnologia agroindustrial de extração e envase de água de coco
Resumo - Este Produto Técnico-Tecnológico (PTT) é um relatório técnico conclusivo que sumariza o resultado da avaliação dos impactos, realizada por docente do PPGE/UFRRJ e sua equipe, de soluções tecnológicas geradas pela EMBRAPA (unidade - Embrapa Agroindústria de Alimentos) para o envase de água de coco (Cocos nucifera L.) pasteurizada e refrigerada em embalagens plásticas (copo e garrafa). Conhecimentos gerados e acumulados pela equipe da Embrapa possibilitaram desenvolver a tecnologia agroindustrial de extração e envase de água de coco, integral, resfriada, congelada e/ou pasteurizada em pequena escala de fabricação incorporando os requisitos de boas práticas de fabricação. Foram analisados os desdobramentos da tecnologia desenvolvida na cadeia produtiva do ponto de vista econômico (redução de custos, agregação de valor e rentabilidade) e socioambiental. Este PTT possui aderência à Linha de pesquisa Estratégia de Gestão de pessoas e organizações, que é sustentada junto ao MPGE/PPGE/UFRRJ. Neste contexto, o PTT possui alta aplicabilidade uma vez que diagnósticos a respeito da tecnologia desenvolvida são possivelmente replicáveis em diversas localidades do país, com alto impacto para produtores rurais de pequeno e médio porte. Do ponto de vista da inovação, este produto é de alto teor de inovação na medida em que oferta para a comunidade a validação de soluções tecnológicas voltadas para a agroindústria produtora de beneficiamento de coco, o que o torna um produto complexo em sua aplicação, devido a multiplicidade e diversidade dos atores envolvidos, abrangendo desde pequenos produtores rurais.
Palavras-chave: EMBRAPA, PROCESSAMENTO DE COCO, AGROINDUSTRIA.
1. Contexto em que se apresenta o produto
O Brasil é o 5º país produtor de coco com 2,34 milhões de t/ano, atrás da Indonésia (18,9 milhões de toneladas) que se destaca como o maior produtor mundial, seguido por Filipinas (14,0 milhões de toneladas), Índia (11,46 milhões de toneladas) e Sri Lanka (2,57 milhões de toneladas), conforme dados de 2017. A estimativa da produção mundial é de 61,1 milhões de toneladas (FAO, 2019).
O maior importador de coco fresco é a China, com 36% do mercado, seguida por Tailândia, Malásia, Estados Unidos e Cingapura. Esses países dominam mais de 80% do mercado importador mundial.
Em termos de exportação, a Indonésia e Vietnã perfazem mais de 50% das exportações, seguidos da Malásia, Índia e Tailândia, que complementam 84% do mercado internacional. O Brasil exporta coco fresco e água de coco, principalmente para Holanda, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Trata-se de um grande mercado consumidor, que é pouco explorado pelos produtores e industriais brasileiros, apesar da expressiva produção no país.
No ano de 2022 os produtores brasileiros produziram juntos 1.8 bilhão de frutos de coco, gerando um valor da produção de R$ 1.6 bilhão. Segundo o levantamento da Produção Agrícola Municipal (IBGE, 2022), observa-se uma evolução da produção entre 2011 e 2022, onde se verifica uma queda entre os anos de 2014 e 2017, sinalizando uma pequena recuperação em 2018. Ainda 2022, observa-se que dentre os estados brasileiros que mais contribuíram em termos de produção foram, temos (em ordem decrescente): Ceará, 572 milhões de frutos; Bahia, com 340 milhões; Pará, com 175 milhões; Pernambuco, com 142 milhões e Sergipe, com 140 milhões de frutos. Outros estados também contribuíram para a produção de coco, à exceção dos estados do Amapá, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, que não apresentaram produção comercial. O mercado interno brasileiro do coco se caracteriza pela produção em pequena escala (85% da produção). Estima-se que o destino da produção seja o seguinte: 35% destinam-se às agroindústrias, que produzem principalmente coco ralado e leite de coco; 35% do coco fresco destinam-se aos mercados Sudeste/Sul e 30% restante ficam no mercado nordestino (Martins & Jesus Júnior, 2013). De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, existem 37.515 estabelecimentos agropecuários produzindo coco no país. A Bahia se destaca com 10.620 estabelecimentos, seguida do Ceará, com 4.590. No Rio de Janeiro, encontram-se 1.257 estabelecimentos (Censo Agropecuário, 2017).
No ano de 2022 em termos de rendimento médio da produção, em frutos por hectare, o estado de Pernambuco estava em primeiro lugar com 19.980 frutos/ha, seguido por Tocantins com 14.453 frutos/ha, Minas Gerais, 14.098 frutos/ha, Espírito Santo em segundo, com 14.025 frutos/ha e Rio de Janeiro, 13.488 frutos/ha. De acordo com os dados da Produção Agrícola Municipal (IBGE, 2022), a média nacional que foi de apenas 9.654 frutos/ha. Estes dados revelam que há tecnologia de produção que possibilita altos rendimentos e, por outro lado, há estados que ainda necessitam se apropriar de tecnologias para melhorar suas produtividades por área, elevando a média nacional e gerando maiores benefícios para os agentes da cadeia produtiva. A produtividade média do coqueiro-anão irrigado no Brasil é de 30.750 frutos por hectare por ano, dependendo do nível de tecnologia utilizada pelo produtor (EMBRAPA, 2018). Neste sentido, a Embrapa em parceria com órgãos de extensão dos estados e entidades do setor podem oferecer tecnologias e know how para melhorar o estado da cadeia produtiva de coco nacional.
2. Diagnóstico do PTT e Desenvolvimento do PTT
A adoção da tecnologia de envase de água de coco integral resfriada, para os casos estudados, viabilizou técnica e economicamente a permanência das empresas nos mercados regionais e até mesmo de outros estados brasileiros. Isto mostra o potencial da tecnologia e, replicada e associada a outras tecnologias que possibilitem aumentar o rendimento médio da produção por área, pode gerar outros impactos positivos na cadeia produtiva. Recentemente foram oferecidas novas capacitações e/ou transferência de tecnologia para o envase de água de coco integral. Se a adoção for confirmada por esses receptores da capacitação/transferência, os mesmos poderão ser objeto de avaliação de impacto. No entanto, também cabe destacar que se trata de uma tecnologia que tem um limite de difusão e adoção tendo em vista a viabilização ou não dos planos de negócios impactados pelas demandas de mercado.
A avaliação do impacto da tecnologia foi baseada nas seguintes empresas:
● Rei do Coco (FABIO RODRIGUES COCO M.E.), localizada no município de Barra do Piraí, RJ. A empresa estava apresentando problemas com a conservação da água de coco no modelo de negócio anterior. Desta forma, a Embrapa Agroindústria de Alimentos recomendou e prestou serviço para implantação de uma unidade agroindustrial de envase de água de coco como solução tecnológica para evitar o desperdício e perda de qualidade do produto.
● VeroCoco (ANCAR AGROINDUSTRIAL - EIRELI), localizada no município de São Pedro d’Aldeia, RJ. Na Fazenda Cadal, localizada na zona rural do município de São Pedro da Aldeia, onde a Vero Coco está instalada, havia 1.000 a 1.500 pés de coco anão verde plantados para a comercialização de frutos in natura. Em função dos baixos preços e do grande potencial de geração de lixo público na venda do fruto para consumo de água nas regiões litorâneas da região dos lagos, os empreendedores resolveram estudar a viabilidade de estruturação de uma unidade de envase de água de coco verde integral resfriada e congelada.
● Cokombi (COKOMBI ÁGUA DE COCO NATURAL LTDA), localizada no município de Belo Horizonte, MG. O seu proprietário, Gláuber Lino Campos Silva, é um empreendedor por natureza e já atuou em vários ramos de atividade. Ele vislumbrou uma oportunidade de negócio em atender consumidores que procuravam uma bebida nutritiva de melhor qualidade. No começo ele fabricava e envasava de forma artesanal, na garagem de casa. Sentiu que o negócio era lucrativo e, então, procurou a Embrapa Agroindústria de Alimentos para estudar e montar uma planta agroindustrial.
● Coco Legal, localizada no município de Cachoeiras de Macacu, RJ. As primeiras experiências de extração de água de coco começaram no ano de 2000 e a empresa foi criada em 2002, quando então teve as primeiras orientações da Embrapa. Iniciamente, com uma agroindústria de 80m2 e apresentando sucesso na produção e venda da água de coco, vê-se a necessidade de ampliar a unidade para 1500m2, em 2012/14, e depois para 2500m2, em 2019. Nesta nova fase da empresa Coco Legal, iniciada no ano de 2019, a Embrapa Agroindústria de Alimentos propôs um conjunto de recomendações técnicas para a produção de água de coco, agregando qualidade e segurança ao alimento.
● Educoco, localizada no município de Riachão do Jacuípe, BA. Produzia água de coco congelada, mas necessitava de orientações sobre tecnologia de resfriamento e envase. Através de orientações da Embrapa Agroindústria de Alimentos fez as alterações de processamento, incluindo ainda mudanças no processo de higienização e extração da água de coco, contando o início da adoção o ano de 2022.
A metodologia adotada buscou comparar as mesmas empresas em dois momentos, com a tecnologia e sem a tecnologia da “Industrialização de água de coco pasteurizada em embalagens plásticas de copo e garrafa”. Com isto, foi possível observar impactos em termos de redução de custos, mais precisamente por meio da redução de perdas, e aumentos a agregação de valor, que se expressou fundamentalmente em termos de aumento da vida útil da água de coco para sua comercialização.
3. Aderência
O produto desenvolvido neste diagnóstico apresenta aderência direta à linha de pesquisa Estratégia de Gestão de Pessoas e Organizações, sustentada pelo PPGE/MPGE/UFRRJ, que objetiva propor estratégias e soluções de aprimoramento do desempenho organizacional pertinentes a cada realidade organizacional dos setores produtivos. Especificamente, o estudo relaciona-se a transferência de tecnologia desenvolvida pelo setor público para o setor produtivo (iniciativa privada).
4. Impacto
O diagnóstico realizado sobre o uso da tecnologia “Industrialização de água de coco pasteurizada em embalagens plásticas de copo e garrafa” mostrou que a mesma foi capaz de impactar diretamente as empresas monitoradas em termos práticos (redução de perdas e aumento da vida útil do produto), como também validou a tecnologia que se coloca como viável para ser transferias para o setor privado em outros estados da federação.
5. Aplicabilidade
A aplicabilidade deste diagnóstico reside principalmente na possibilidade de padronização dos procedimentos necessários para implantação da tecnologia “Industrialização de água de coco pasteurizada em embalagens plásticas de copo e garrafa”, sobretudo em produções de pequeno e médio porte, de modo a aumentar o desempenho produtivo e a rentabilidade dos negócios.
6. Inovação
Este PTT reflete uma tecnologia de alto teor inovativo, com desenvolvimento de conhecimento e técnicas inéditas, com a possibilidade de uso intensivo no âmbito da agricultura familiar, uma vez que o custo da solução tecnológica, acompanhada desde 2012, se reduziu com o passar do tempo, o que abre a possibilidade de sua adoção por propriedades de menor porte.
7. Complexidade
Este diagnóstico caracteriza-se por elevada complexidade devido à multiplicidade e diversidade dos atores envolvidos, abrangendo desde pequenos produtores rurais familiares até instituições financeiras, prestadores de serviços de assistência técnica rural e diferentes níveis da gestão governamental (municipal e estadual), além da própria EMBRAPA. A interação entre esses atores demandou um esforço significativo de coordenação e comunicação. Além disso, o estudo avançou em outras dimensões, tais como os impactos ecológicos, socioambientais e no emprego direto gerado.
Referências
CENSO AGROPECUÁRIO 2017. Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA. Produção, Valor da produção, Venda, Valor da venda, Colheita, Área plantada e Efetivos das plantações da lavoura permanente nos estabelecimentos agropecuários, por tipologia, produtos da lavoura permanente, condição do produtor em relação às terras e grupos de atividade econômica. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6955. Acesso em 10 jan. 2023.
EMBRAPA. Coco: o produtor pergunta, a Embrapa responde / Lafayette Franco Sobral, editor técnico. – Brasília, DF : Embrapa, 2018.
FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations). FAOSTAT – Crops. Rome: FAO, 2019.
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Produção Agrícola Municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.
MARTINS, Carlos Roberto; JESUS JÚNIOR, Luciano Alves de. Produção e comercialização de coco no Brasil frente ao comércio internacional: panorama, 2013.
EQUIPE RESPONSÁVEL
André Yves Cribb (Pesquisador)
Mauro Sergio Vianello Pinto (Pesquisador)
Leandro Gonçalves de Souza Leão (Analista)
Paula Rodrigues Almeida Polidoro (Analista)
Paulo Cesar de Almeida Portes (Analista)
COLABORADORES DO PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS
André de Souza Dutra (Embrapa CTAA)
Fábio Rodrigues (Fabio Rodrigues Coco M.E.)
Virgínia Martins da Matta (Embrapa CTAA)
Glauber (Cokombi)
Luiz Eduardo (VeroCoco)
Fabio Levin (Coco Legal)
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2023