o desafio da interseccionalidade: gênero, raça e direitos humanos
Description
Ao final do século passado, em 1991, no governo Bush, abriu-se uma crise política com a denúncia de assédio sexual contra o juiz negro, conservador, Clarence Thomas. Quem contou essa história para promover uma reflexão sobre identidades foi Stuart Hall, em seu livro “A identidade cultural na pós-modernidade” (2002). Thomas foi acusado por sua ex-colega Anita Hill, mulher negra, advogada, educadora e professora de política social, que à época exercera um cargo subordinado ao de Thomas. Esse caso dividiu opiniões nos Estados Unidos, e as defesas de direitos se deram de acordo com as afinidades culturais e políticas das identidades sociais americanas de então. Gênero, raça e política estavam postos à mesa para serem usados como chaves de entendimento e julgamento do caso, criando o que Hall denominou “o jogo das identidades”. Este caso foi histórico e exemplar, por permitir que a interseccionalidade entre gênero, raça e direitos humanos se explicitasse na sociedade americana. Três décadas depois, assistimos no Brasil a uma situação cuja similaridade é incontestável. Os desdobramentos do caso brasileiro, no entanto, apontam com clareza para um novo momento no entendimento da interseccionalidade de gênero, raça e no avanço das garantias de direitos humanos para as mulheres. Este editorial apresenta os textos que compõem este dossiê, na perspectiva de uma reflexão sobre a interseccionalidade entre gênero, raça e direitos humanos.
Abstract (English)
At the end of the last century, in 1991, during the Bush administration, a political crisis broke out with allegations of sexual harassment against the black, conservative judge, Clarence Thomas. The person who told this story to explore identities was Stuart Hall, in his book “Cultural identity in postmodernity” (2002). Thomas was accused by his former colleague Anita Hill, a black woman, lawyer, educator and professor of social policy, who at the time held a position subordinate to Thomas. This case divided opinions in the United States, and the defense of rights took place in accordance with the cultural and political affinities of American social identities at the time. Gender, race and politics were on the table to be used as keys to understanding and judging the case, creating what Hall called “the game of identities”. This case was historic and exemplary, as it allowed the intersectionality between gender, race and human rights to become explicit in American society. Three decades later, we are witnessing a situation in Brazil whose similarity is undeniable. The developments in the Brazilian case, however, clearly point to a new moment in the understanding of intersectionality of gender, race and in advancing human rights guarantees for women.
This editorial presents the articles that conform this dossier, from the perspective of a debate on the intersectionality between gender, race and human rights.
Files
o desafio da interseccionalidade.pdf
Files
(116.9 kB)
| Name | Size | Download all |
|---|---|---|
|
md5:a80806064c7b8013e943fbed9d2adb58
|
116.9 kB | Preview Download |
Additional details
Additional titles
- Translated title
- the challenge of intersectionality: gender, race and human rights