Published June 12, 2023 | Version v1

CORTE, MONTAGEM, SALTOS: A NARRATIVA FÍLMICA DE HIGH SCHOOL (1968) DE FREDERICK WISEMAN

  • 1. Universidade Federal de Santa Catarina

Description

O documentário de Frederick Wiseman aqui analisado, High School de 1968, ano emblemático para os que se interessam pelos movimentos da contracultura, os levantes estudantis de maio, a Guerra Fria... entra numa escola secundária e captura a performance dos presentes, contrapondo os encontros e desencontros, os ditos e interditos, cujas pistas escondidas na passagem de uma tomada para outra desafiam o espectador a recriar a narrativa desconstruída na montagem e sobreposição das cenas e recortes. O jogo entre futuro e tradição se encontram nessas passagens de cena, próprias da linguagem de Wiseman, na qual a narrativa fílmica é feita por saltos. A elisão do corpo e da sexualidade do estudante, a contenção libidinal, a canalização da energia para a prática de esportes, aulas de culinária, a persecução do futuro se condensam numa colagem de tomadas cuja narrativa é conduzida primitivamente pelo olhar. Punições, controle, modelagem são encenados por closes com recortes estranhos, desconfortáveis, que se concentram no movimento labial, caretas, nádegas e pernas das pessoas. Neste trabalho decomponho o documentário High School e proponho a recriação da narrativa fílmica pela leitura das pistas que encontro, unificando a crítica institucional de Wiseman na cena que está no meio pelo que significa estar no ensino médio/secundário nos Estados Unidos em 1968: estar entre, estar no centro de um Ocidente em ebulição social e política mas paralisado por dispositivos inconscientes e persistentes na sua expressão cultural.

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