O QUE PENSAM E DIZEM OS ALUNOS SOBRE SUA PRÓPRIA LÍNGUA: UMA PESQUISA COMPARATIVA DE CRENÇAS E ATITUDES
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Resumo: A língua não é estática, está em constante processo de transformação e, por isso, sofre influências do contexto histórico, geográfico e social. Tendo isso em vista, este estudo busca identificar a presença de elementos que provocam essas variações linguísticas, cujos elementos constitutivos remetem à própria história linguística do português no Brasil. Serão pesquisadas, também, se existem e como se caracterizam as atitudes preconceituosas por parte dos falantes, quando entram em contato com variedades linguísticas diferentes das que estão acostumados. Tais atitudes preconceituosas podem ocorrer devido às crenças linguísticas de que uma língua é superior à outra. Esse preconceito é agravado quando manifestado por estudantes universitários, uma vez que a formação universitária deve ser pautada, entre outras coisas, pelo pluralismo de ideias e pela diversidade. Nesse contexto, a presente pesquisa, vinculada ao Projeto de Pesquisa “Crenças e Atitudes na Universidade”, coordenado pelo prof. Dr. Jany Éric Queiros Ferreira (UFRA), pretende investigar, na perspectiva de estudantes universitários de cursos de medicina veterinária, de uma universidade pública e uma universidade privada de ensino de Belém, crenças e atitudes acerca dos dialetos paraenses, mensurando suas manifestações positivas ou negativas em relação a esses dialetos. A escolha de estudantes universitários de medicina veterinária deve-se ao fato de que os alunos desse curso atendem a um público misto, em geral, formado por moradores nativos de Belém e outros que não são naturais da capital paraense, cujas variedades podem ser observadas e avaliadas. A pesquisa está ancorada nos pressupostos teórico-metodológicos de Ferreira (2019), Lambert e Lambert (1964) e Botassi (2013). Para aferir as crenças e atitudes linguísticas serão considerados, no grupo de amostras, alunos dos primeiro e último semestres, nativos e não nativos de Belém, dos sexos masculino e feminino, considerando os parâmetros diatópico e diassexual. Como técnica de coleta, optou-se pelos falsos pares de Lambert e Lambert (1972), em que informantes são levados a avaliar os dialetos atribuindo valores relativos de acordo com características de personalidades. Além dessa técnica, serão aplicados questionários qualitativos sobre crenças e atitudes. Acredita-se que, devido à formação dos alunos e seus conhecimentos incipientes sobre a língua e suas variedades, suas crenças e atitudes linguísticas sejam mais negativas do que positivas.