Detecção de características específicas da articulação do joelho que podem limitar a atividade física em portadores da síndrome de down no DF
Authors/Creators
- 1. Universidade de Brasília
Description
[INTRODUÇÃO] Algumas alterações músculo-esqueléticas na articulação do joelho podem impedir ou aumentar o risco de lesão em sujeitos que procuram se exercitar. Os deficientes mentais portadores da Síndrome de Down (SD) possuem algumas características específicas. Desta forma, a pesquisa consiste na comparação da estrutura do joelho de sujeitos portadores da SD e sujeitos normais.
[MATERIAL E MÉTODO] Este estudo utilizou o método epidemiológico analítico transversal. A amostra foi composta por 21 deficientes mentais portadores da Síndrome de Down e um outro grupo por 21 sujeitos normais, com idade entre 15 e 50 anos, de ambos os sexos. Os sujeitos deficientes mentais portadores da SD estão matriculados nas instituições filantrópicas (AMPARE, APAE e Pestalozzi) do Distrito Federal. As variáveis de estudo foram: A) Para observar o ângulo Q, mediu-se da linha da espinha ilíaca ântero superior até a patela medial, da tuberosidade da tíbia até o mesmo ponto, em que de 13o a 18o os desvios dos joelhos são normais. B) Para observar estabilidade dos ligamentos colaterais mediais e laterais, foi realizado um leve stress no joelho, em rotação interna e rotação externa. C) Para o sinal de gaveta, o avaliador fez pressão para puxar e empurrar o joelho, havendo mais de 5 mm de movimento tibial sobre o fêmur ao puxar o joelho, o ligamento cruzado anterior foi considerado frouxo, e se o mesmo deslocamento ocorrer ao empurrar a articulação, a frouxidão era no ligamento cruzado posterior. D) O teste do ângulo poplíteo foi realizado fletindo o quadril do sujeito e estendendo seu joelho, medindo o ângulo formado; sendo considerado encurtamento dos isquiotibiais quando não for igual a 180o. E) Por fim, foi realizado o teste de Ely, quando o sujeito tiver o reto da coxa encurtado, levantará o quadril de mesmo lado da maca quando fletir o joelho.
[RESULTADOS] Nas análises comparativas entre os sujeitos deficientes mentais com SD e sujeitos normais, foi encontrada diferença significativa através da análise do teste "t" de student. Com relação às médias dos ângulos Qs encontradas, os portadores da SD teve valores de 9,11o para membro inferior direito (MID), e 10,66o para membro inferior esquerdo (MIE); enquanto os sujeitos normais, os valores foram iguais a 10,38o e 11,04o, respectivamente. Em relação ao ângulo poplíteo, pôde-se observar que a média dos portadores da SD foi de 174,95 para MID e MIE. A média dos sujeitos normais foi de 160 para MID e de 162,38 para MIE. Considerando os testes de frouxidão ligamentar - gaveta anterior, posterior, desvio varo e valgo -, todos os sujeitos normais tiveram o teste negativo (100%), e 63,63% dos portadores da SD tiveram seu resultado positivo. O teste de Ely teve resultado positivo para todos portadores da SD (100%), já os sujeitos normais tiveram 46,46% de resultado negativo.
[CONCLUSÃO] Grande parte dos sujeitos portadores da SD tem desvios da articulação do joelho. Os sujeitos normais têm mais encurtamento dos ísquios do que os portadores da SD. Todos os portadores da SD têm o reto femural normal. Em relação à frouxidão ligamentar, grande parte dos portadores da SD a tem, e nenhum dos sujeitos normais tem; o que confere com a literatura pesquisada. Estes resultados não parecem mostrar interferência significativa no risco da prática de atividade física.
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