Published January 8, 2026 | Version v1
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Pedagogias de Resistência Práticas Antirracistas e Enfrentamento ao Sexismo no Cotidiano Escolar

  • 1. Secretaria Municipal de Educação de Uberlândia - SMEU

Description

Este artigo analisa estratégias pedagógicas antirracistas desenvolvidas por professoras negras da Educação Básica, destacando práticas cotidianas de enfrentamento ao racismo e ao sexismo no ambiente escolar. A partir de narrativas produzidas em uma pesquisa mestrado, pela Universidade Federal de Uberlândia. Com abordagem qualitative e natureza exploratória,  foram realizadas entrevistadas com seis professoras autodeclaradas negras, efetivas na rede municipal de Uberlândia. observou-se que essas docentes mobilizam recursos estéticos, culturais e históricos da população negra — como literatura, música, narrativas orais, personagens, referências acadêmicas e práticas culturais afro-brasileiras — para promover representatividade positiva, combater estereótipos e construir um clima escolar inclusivo e igualitário. Este estudo fundamenta-se em aportes de Almeida (2019), Carneiro (2005), Munanga |(2019), Hooks (2013), Gonzalez (2020), Evaristo (2017), Kilomba (2019), Gomes (2021) e Crenshaw (2002), cujas perspectivas críticas sobre racismo estrutural, gênero e epistemologias negras sustentam a análise das práticas antirracistas e dos enfrentamentos cotidianos das docentes. Os relatos evidenciam, ainda, resistências institucionais, desafios curriculares e tensões nas relações com colegas e gestores, revelando a persistência do eurocentrismo e de discursos discriminatórios no cotidiano escolar. Em detrimento disso, as professoras constroem práticas de cuidado, diálogo, crítica e afirmação identitária que fortalecem estudantes e ampliam a compreensão da diversidade. Conclui-se que suas ações constituem pedagogias de resistência e transformação, essenciais à efetivação da Lei 10.639/03 e à formação de sujeitos críticos e antirracistas.

Abstract

This article analyzes anti-racist pedagogical strategies developed by Black women teachers in Basic Education, highlighting everyday practices for confronting racism and sexism in the school environment. Based on narratives produced in a master’s research project at the Federal University of Uberlândia, with a qualitative and exploratory approach, interviews were conducted with six self-identified Black women teachers who are permanent staff in the municipal school system of Uberlândia. It was observed that these teachers mobilize aesthetic, cultural, and historical resources of the Black population—such as literature, music, oral narratives, characters, academic references, and Afro-Brazilian cultural practices—to promote positive representation, combat stereotypes, and build an inclusive and egalitarian school climate. This study is grounded in the contributions of Almeida (2019), Carneiro (2005), Munanga (2019), Hooks (2013), Gonzalez (2020), Evaristo (2017), Kilomba (2019), Gomes (2021), and Crenshaw (2002), whose critical perspectives on structural racism, gender, and Black epistemologies support the analysis of anti-racist practices and the teachers’ everyday forms of resistance. The accounts also reveal institutional resistance, curricular challenges, and tensions in relationships with colleagues and administrators, exposing the persistence of Eurocentrism and discriminatory discourses in daily school life. Despite this, the teachers build practices of care, dialogue, critique, and identity affirmation that strengthen students and broaden understandings of diversity. It is concluded that their actions constitute pedagogies of resistance and transformation, essential for the implementation of Law 10.639/03 and for the formation of critical, anti-racist subjects.

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