Paciente do sexo masculino encaminhado em 2009 para monitorização para a Unidade Metabólica Óssea (BMU) aos 36 anos de idade e diagnosticado num centro privado com doença de Paget monostótica do raio esquerdo. Na altura, o paciente forneceu uma biopsia e um relatório cintilográfico realizado em 2007. Ele foi tratado com risedronato na dose utilizada para a osteoporose. Ao observar o bom resultado nos níveis de P1NP (procollagen tipo 1 amino-terminal propeptide), o risedronato foi descontinuado nesse mesmo ano, 2009. Desde então até Novembro de 2014, foi monitorizado periodicamente quanto aos níveis séricos de marcadores de remodelação óssea, e foi prescrito um novo ciclo de risedronato de baixa dose durante alguns meses, quando estes aumentaram. Também durante este período de tempo, foi realizada uma varredura sem encontrar alterações significativas em relação à varredura anterior. Quando o tratamento foi administrado, os sintomas de dor local melhoraram, mas em Novembro de 2014 ele veio espontaneamente à clínica com o braço numa funda, relatando que dois dias antes tinha sofrido uma queda casual e apresentava dores intensas na área do carpo esquerdo. O exame físico revelou um hematoma no dorso da mão e no terço distal do antebraço, edema, enfraquecimento dos sulcos do tendão no dorso da mão, impotência funcional do pulso e um aumento local da temperatura. Dada a suspeita clínica de fractura, o paciente foi encaminhado da Unidade Metabólica para o Departamento de Emergência onde foram tiradas radiografias; teve alta com o diagnóstico de contusão pois não era evidente qualquer fractura, mas foi observada uma grande lesão hiperostótica nas radiografias simples, razão pela qual o paciente regressou à BMU. Apesar de a fractura não ser visível nas radiografias, mas havia provas clínicas da mesma, foi solicitada uma tomografia axial computorizada (TAC) urgente e uma ressonância magnética nuclear (RMN) para estudo diferido da lesão hiperostótica. A tomografia computorizada mostrou uma fractura dos ossos do viciado e do trapézio. O membro foi imobilizado com uma tala posterior. Uma vez resolvida a emergência traumática, a lesão radiológica do raio foi reavaliada nos dias seguintes e o chamado sinal de "derretimento de cera deslizante" foi identificado. Dada a possibilidade de melorheostose, esta opção foi discutida com os departamentos de Radiologia e Medicina Nuclear para a sua consideração. Finalmente, isto foi aceite como um diagnóstico alternativo à doença de Paget do osso, sendo indistinguível por gama. Uma vez confirmado e acordado o novo diagnóstico de melorheostose, voltámos à anamnese, que incluía um relatório de uma queda aos 14 anos de idade enquanto praticava desporto. O paciente relatou ter sofrido dores intensas no rádio, mas não foi a nenhum centro de saúde e escondeu-a dos pais, apresentando uma certa deformidade desde então. A dor diminuiu semanas após a queda. Deduzimos que o paciente fracturou o seu raio e como a fractura não foi imobilizada ou reduzida, ficou com a deformidade que pode ser vista na figura 1, mas que não está directamente relacionada com a hiperostose. Para além da impressionante imagem central, existem outras áreas de hiperostose no interior da extremidade distal do raio e no terço proximal.


