Trata-se de uma paciente feminina de 57 anos de idade com antecedentes de carcinoma ductal da mama esquerda diagnosticado em 1999 e carcinoma ductal "in situ" da mama direita em 2002, sem dados de recidiva desde então, que trabalhou numa lavandaria hospitalar como engomadeira. A paciente nunca fumou, mas vive num apartamento de 65 metros quadrados com o seu marido, fumador de 30 cigarros por dia (variedade preta), com quem vive há 35 anos, o seu filho e a sua filha, ambos também fumadores. O filho é fumador de 20 cigarros por dia, com quem vive há 31 anos; e a filha é fumadora de 10 cigarros por dia, com quem vive há 25 anos. Todos eles fumaram dentro do apartamento, nenhum deles saiu para o terraço para fumar.
Consultou por hematúria franca relacionada com dores lombares de natureza mecânica. O exame físico não revelou nenhum resultado relevante, nenhuma massa palpável na fossa renal. Foi solicitada uma cultura da urina, ultra-sons e testes laboratoriais (hematologia e bioquímica geral). Os testes laboratoriais foram normais, excepto para a proteinúria, e a cultura da urina foi negativa. O ultra-som foi relatado como "sem alterações significativas, excepto ligeira ectasia no grupo superior direito da caliceia". Decidimos que no caso de hematúria com proteinúria positiva (confirmada em urina de 24 horas), o encaminharíamos para o departamento de nefrologia para estudo e acompanhamento posterior.
Foi realizada uma segunda ecografia, com os mesmos resultados que a primeira (realizada com 6 meses de intervalo), bem como uma urografia intravenosa mostrando dilatação do pyelocaliceal e do ureter direito. A tomografia computorizada (CT) mostrou os mesmos resultados, sem causa obstrutiva para a dilatação. Na terceira ecografia (meses mais tarde) foi observado conteúdo ecogénico no sistema pielocaliceal do rim direito, pelo que foi solicitada uma nova ecografia, onde foi encontrada uma imagem com densidade de tecido mole que afectava o infundíbulo superior e a pélvis renal na porção intrarrenal, causando dilatação do cálice superior. A lesão é compatível com carcinoma celular transitório no sistema colector correcto, infundíbulo superior e parte da pélvis renal. A citologia da urina foi positiva. A paciente foi submetida a uma nefrectomia laparoscópica direita e ureterectomia.

A anatomia patológica confirmou carcinoma celular transitório da pélvis renal, com focos de carcinoma mucinoso que afectam a pélvis, infiltrando-se no parênquima e respeitando as bordas ureterais, fase teórica pT3. Quase dois anos mais tarde, uma tomografia computorizada do tórax confirmou lesões no fígado que ocupam espaço compatíveis com metástases hepáticas e ósseas.


