Apresentamos o caso de uma rapariga de três anos que veio à clínica de cuidados primários durante três dias apresentando-se com dores de dentes e discreta fleuma dentária, sem febre.

O exame revelou uma cárie no segundo molar inferior direito, com inflamação discreta e dor mandibular. Foi decidido iniciar o tratamento antibiótico com amoxicilina de alta dose e medicamentos anti-inflamatórios, e o paciente foi encaminhado para o dentista3.
O paciente foi visto no consultório do dentista quatro dias mais tarde. O catarro e a adenopatia regional persistiram, mas não houve dor. Foi decidido continuar com o tratamento e a monitorização.
Após uma semana de tratamento, o fleuma foi mais definido e doloroso, e o paciente foi encaminhado para a cirurgia maxilo-facial. Nessa mesma tarde ela apresentou febre e foi encaminhada para o Departamento de Emergência, onde foi decidido tratar com amoxicilina mais ácido clavulânico e consultar o dentista.
Vinte dias depois, na clínica de cuidados primários, apresentou um abcesso vermelho, doloroso e supurativo na fronteira submaxilar direita. Ela foi novamente encaminhada para o departamento de emergência para drenagem. Aí foi drenada e foram recolhidas amostras para cultura e anatomia patológica da lesão cervical ulcerada. O tratamento foi iniciado com azitromicina e ciprofloxacina.

O resultado da anatomia patológica descreve tecido de granulação com inflamação aguda e crónica e necrose central, sem microrganismos observados (com técnicas de Grocot, Gram e Ziehl-Neelsen) e sem vestígios de gânglio linfático identificados.
A evolução da úlcera foi torpida, com tratamento de dois em dois dias no centro de saúde. Um mês após a drenagem, foi realizada uma exodontia, com melhoria definitiva após dois meses de evolução. A grande cicatriz no rosto começa a ser involuntária.


