Apresentamos o caso de uma menina de sete anos de idade que veio ao departamento de emergência para a ptose palpebral direita e dor periorbital de 24 horas de duração, que não diminuiu com os analgésicos habituais, sendo afebril, com náuseas esporádicas e vómitos e sem processo infeccioso intercorrente.
O paciente não tinha qualquer história pessoal ou familiar de interesse, excepto num episódio semelhante ao descrito nos dois anos anteriores, com a duração de duas semanas, que se passou espontaneamente sem medicação. O exame físico revelou paralisia da supradução e adução do olhar direito, com ptose da pálpebra, sem envolvimento pupilar ou alteração de outros nervos cranianos. Foi realizado um hemograma completo e bioquímica geral, taxa de sedimentação de eritrócitos, proteína C-reativa, hemoglobina glicosilada, anticorpos anti-DNA, anticorpos antinucleares (ANA), anticorpos extraíveis do núcleo (ENA), anticorpos anti-neutrófilos citoplasmáticos (ANCA), e ressonância magnética craniana, sendo todos os resultados normais. A síndrome de Tolosa-Hunt foi diagnosticada e foi prescrita prednisona oral 1 mg/kg/dia durante cinco dias. Em 48 horas, o paciente foi reavaliado e apresentado com resolução completa de oftalmoplegia e dor, com persistência de ligeira ptose palpebral, que foi mantida durante os seis meses seguintes.


