Um rapaz de sete anos chegou à clínica de cuidados primários pediátricos 30 minutos antes e enquanto caminhava, apresentando uma sensação de palpitações de início súbito, sem acompanhar dores no peito ou dispneia. Ele não tinha exercido anteriormente. Nenhuma história pessoal de doença cardíaca, nem história familiar de doença cardíaca ou morte súbita.
À chegada ao centro de saúde, o doente estava consciente e orientado, sem sinais de problemas respiratórios. A auscultação cardíaca mostra tons rítmicos a 170-180 batimentos por minuto (bpm), sem murmúrios. Os pulsos periféricos são rítmicos e simétricos. Boa recarga capilar. Pressão arterial (PA) sistólica: 90 mmHg, 31º percentil (P31), diastólica: 65 mmHg (P76).
É realizado um electrocardiograma (ECG). A figura 2 mostra a medição da largura do complexo QRS.

Dados os achados electrocardiográficos de taquicardia QRS ampla sem repercussões hemodinâmicas, o pediatra iniciou uma infusão de amiodarona (5 mg/kg, intravenosa [IV]), e encaminhou o paciente para o hospital por transporte médico.
À chegada ao serviço de urgência pediátrica, o paciente estava assintomático, excepto pela sensação de palpitações. O exame físico foi o seguinte: peso 22,5 kg (P21), altura 119,5 cm (P14), sistólica BP 88 mmHg (P25) e diastólica 63 (P71). Consciente e orientada. Boa perfusão. Auscultação cardíaca com taquicardia sem murmúrios. Pulsos periféricos normais. Descansar normalmente.
Após análise do ECG, foi considerada a possibilidade de taquicardia supraventricular (SVT) conduzida com aberração, pelo que foi decidido tentar inverter a taquicardia com manobras vagais (reflexo da mordaça, frio no rosto), sem sucesso, pelo que foi administrado um bolus de adenosina a 0,1 mg/kg IV deixando em ritmo sinusal. Foi realizado um ECG de base, que não mostrou anomalias. As análises ao sangue mostraram iões e enzimas do miocárdio dentro da gama normal.

O paciente foi internado durante 24 horas para observação, sem novos episódios, foi realizado um ecocardiograma, o que era normal, e teve alta com posterior acompanhamento em consultas de Cardiologia, com diagnóstico de TSV paroxística com condução aberrante.


