Uma menina de três anos, sem história pessoal ou familiar de interesse, foi encaminhada pelo seu pediatra para o Departamento de Alergologia para apresentar, durante o último ano, episódios recorrentes de lesões de habonose disseminadas sem angioedema. Os surtos surgiram a cada um ou dois meses, geralmente persistiram durante uma semana e foram por vezes acompanhados por odynophagia. Os pais não associaram estes sintomas a nenhum possível agente desencadeante externo, incluindo drogas ou alimentos.
O exame físico na primeira visita revelou uma hipertrofia das amígdalas palatinas, sem outras descobertas dignas de nota.
Os testes cutâneos com uma bateria padrão de pneumo-alergénicos comuns na região (incluindo ácaros, pólenes, fungos e epitélios animais), látex, alimentos, panalergénicos vegetais e Anisakis simplex foram negativos.
Os testes laboratoriais gerais (bioquímica, hemograma, taxa de sedimentação de eritrócitos, hormonas da tiróide e urina) foram normais, assim como as classes de imunoglobulina sérica IgA, IgM e IgG. O IgE total foi de 104,5 IU/ml (valores de referência normais 100-120 IU/ml). Os níveis de anticorpos anti-streptolysin O (ASLO) foram de 1571 UI/ml (valor de referência do laboratório, 0-200 UI/ml). Não foram observados parasitas no exame das fezes.
Após tratamento com penicilina G-benzatina intramuscular durante quatro meses (uma dose por mês), a criança ficou assintomática e os níveis de ASLO diminuíram progressivamente para o normal.


