O paciente era um rapaz de quatro anos sem história de interesse, correctamente vacinado, que iniciou uma febre de 38,5 oC de 12 horas (h) de evolução, adenopatias submaxilares dolorosas, faringe eritematosa com exsudado, sem sintomas catarrais. Além disso, apresentou um exantema micropapular elevado em "arrepios" afectando o tronco e as pregas inguinais e axilares, ligeiramente pruriginoso e ligeiramente doloroso à palpação. Dada a suspeita clínica de escarlatina, foi realizado um teste rápido para Streptococcus pyogenes, que foi negativo, pelo que se decidiu uma gestão expectante e um check-up clínico em 24-48 h. Às 24 horas, o estado geral agravou-se com febre até 39oC e exantema persistente, pelo que, dada a elevada suspeita de escarlatina, foi decidido tomar um esfregaço faríngeo e prescrever amoxicilina a uma dose de 40 mg/kg/dia distribuído numa dose a cada 8 horas. Após 72 horas, o resultado do esfregaço faríngeo foi positivo para Staphylococcus aureus (crescimento abundante) e sensível à amoxicilina/ácido clavulânico. Nessa altura, o paciente estava clinicamente bem, afebril e a erupção cutânea tinha diminuído, pelo que foi decidido completar o tratamento com amoxicilina/ácido clavulânico durante oito dias. Duas semanas após o início da febre, o paciente desenvolveu escamação das solas e palmas das mãos "dedo com luvas".


