Uma paciente feminina de 13 anos, sem história pessoal de interesse, consultada para edema palpebral bilateral de três dias de evolução. Na anamnese subsequente, ela relatou ter acompanhado dores de cabeça com ligeira odynophagia, sem febre associada. O exame físico revelou edema bilateral das pálpebras sem qualquer outro envolvimento ocular, sem edema noutros locais e hipertrofia amigdalar 2/4 sem exsudados. Nos dias seguintes consultou novamente até três vezes devido a edema persistente e aumentado das pálpebras, sem outros sintomas. Uma vareta de urina foi realizada em várias ocasiões sem detecção de proteinúria e uma cultura de exsudado faríngeo foi negativa. Tendo em conta os resultados clínicos e os resultados negativos dos testes realizados até à data, foi solicitado um hemograma, bioquímica sanguínea, perfil hepático e sedimento urinário, com resultados normais excepto para a leucocitose (18.460/µl) com predominância linfocitária (61,8%) e aumento das transaminases (GOT 139 IU/l, GPT 184 IU/l). Dez dias após o início da doença, o edema da pálpebra resolvido, sem evidência de febre, linfadenopatia ou hepatoesplenomegalia. Uma análise ao sangue foi realizada três semanas mais tarde e o hemograma não mostrou anomalias e as transaminases diminuíram para valores normais (GOT 22 IU/l, GPT 16 IU/l). Foi solicitada a suspeita de síndrome de mononucleose, serologia para EBV e citomegalovírus (CMV), obtendo-se IgM positiva contra EBV, o que permitiu a confirmação do diagnóstico.


