Um adolescente de 14 anos de idade frequentou o seu pediatra sem marcação devido a dores no peito no hemitórax anterior esquerdo que irradiava para o pescoço. A dor começou no dia anterior, começou como suave e tem vindo a aumentar, e o paciente observou que o desconforto se agrava em decúbito e com respiração profunda, e melhora quando se senta e inclina o tronco para a frente. Ele nega a febre ou outros sintomas, e não tem qualquer história médica ou cirúrgica de interesse. O exame físico é completamente normal; contudo, o pediatra realiza um electrocardiograma (ECG) e decide, tendo em conta os resultados do teste, encaminhar o paciente para o hospital. Antes de continuar a ler, dê uma vista de olhos ao ECG.

Após a leitura de rotina1, o ECG mostra um ritmo sinusal a 100 batimentos por minuto. Não há anomalias no segmento da onda P ou PR, e o complexo QRS apresenta um eixo dentro do quadrante inferior esquerdo (entre 0 e +90o, sendo positivo em I e aVF) sem alterações morfológicas. Até agora, não detectámos quaisquer dados invulgares. Ao analisar a repolarização, observámos um intervalo QTc de duração normal, embora a presença de ondas T negativas nos cabos V3-V6 seja impressionante. Observamos uma diminuição acentuada no segmento ST em V4 e ligeiramente menor em V5, sem ondas Q patológicas ou sinais de hipertrofia ventricular. Dados os resultados clínicos e electrocardiográficos do doente, o pediatra diagnosticou pericardite aguda e encaminhou o doente para o hospital.


