Trata-se de uma paciente do sexo feminino de 15 anos, sem história familiar ou pessoal de interesse, que vem à clínica pela aparência insidiosa, 3-4 dias antes, de lesões eritematosas na superfície pré-tibial de ambas as pernas, de forma simétrica, que aumentaram em número e tamanho e algumas começaram a mudar de cor, com uma certa cor amarelada.

O paciente relatou uma ligeira infecção das vias aéreas superiores na semana anterior, sem quaisquer outros sintomas. Ela nega ter tomado qualquer medicação.
O exame físico não revelou febre. Pressão arterial 110/70 mm Hg, frequência cardíaca: 60 batimentos por minuto e auscultação cardiorrespiratória normal.
As lesões apareceram como nódulos eritematosos da pele, ligeiramente hipertérmicos e dolorosos à palpação, variando em diâmetro de 1 a 3 cm na superfície pré-tibial, sem lesões observadas em outros locais.
O paciente foi recomendado repouso e analgesia com paracetamol ou AINEs, e foi encaminhado para o departamento de dermatologia para uma biópsia de confirmação.
Dado que o exame físico do doente era normal, foram solicitados os seguintes testes complementares para se chegar a um diagnóstico etiológico: hematologia, fórmula, hemograma e ESR; bioquímica com testes de função hepática, renal e tiroidiana; proteinograma; cálcio e fósforo; factor reumatóide, proteína C-reactiva (CRP) e anticorpos antinucleares (ANA). Todos os valores se encontravam dentro da gama normal. Foi também solicitada uma radiografia de tórax, sem resultados patológicos; Mantoux foi negativo; ASLO foi negativo e a serologia do vírus Epstein Barr (EBV) foi positiva para IgG, negativa para IgM; o teste de gravidez foi negativo.
Após 15 dias, as lesões tinham praticamente desaparecido. A biopsia deu o diagnóstico definitivo. Dados os resultados dos testes complementares e a evolução do paciente, foi rotulado como eritema nodoso de etiologia idiopática.


