Mulher de 57 anos, sem historial médico de interesse, ex-fumadora há 15 anos, encaminhada da Unidade de Detecção Precoce do Cancro da Mama para um nódulo de 3,5 cm no quadrante inferior esquerdo da mama esquerda, sem linfadenopatia axilar palpável. O diagnóstico foi feito por biopsia, ressonância magnética e ultra-som axilar de carcinoma ductal infiltrante da mama esquerda com envolvimento axilar.
Tratamento neoadjuvante com quimioterapia padrão com FEC 75 (4 ciclos) seguido de docetaxel (4 ciclos). Após o tratamento, não houve resposta radiológica e a cirurgia foi realizada, com mastectomia esquerda e linfadenectomia de Berg de nível I e II.
O diagnóstico anatomopatológico definitivo foi carcinoma ductal infiltrante, grau III, 2,6 cm, Her2-neu negativo. Receptores de estrogénio 98%. Progesterona 38%. P53 29%. Ki 67 35%. Ela-2 0%. Queratina 56 positivo 1/3. EGFR negativo. E-Caderin positivo 3/3. Androgénio negativo. BCL2 positivo 2/3. É um padrão luminal B-Ki67 com metástase em 1/ 19 gânglios linfáticos.
No período pós-operatório imediato houve uma ligeira hemorragia externalizada por drenagem, e foi efectuado um tratamento conservador. No sétimo dia pós-operatório, foi observado um débito de 400 ml através da drenagem axilar, com um aspecto leitoso, sugestivo de linforreia quilosa. O fluido quiloso foi confirmado por um estudo bioquímico (triglicéridos: 800 mg/dl, colesterol total: 47 mg/dl).
É indicada uma dieta com restrição de gordura, aconselhando a ingestão de alimentos com triglicéridos de cadeia média e a administração simultânea de somatostato subcutâneo de 8 em 8 horas durante 10 dias. Com estas medidas, a quantidade e aparência da drenagem axilar melhorou e normalizou, permitindo a sua remoção 20 dias de pós-operatório. Não foram observadas mais complicações nos controlos subsequentes, e o doente passou a completar o tratamento oncológico. O paciente está assintomático e livre de doenças após 37 meses de acompanhamento.


