Um homem de 55 anos foi encaminhado para o nosso hospital em Novembro de 2005 por odynophagia e hemorragia oral. O exame físico revelou uma úlcera necrótica de 4-5 cm de diâmetro no pilar da amígdala e amígdala esquerda, que foi biopsiada e considerada como carcinoma de células escamosas. O TAC mostrou adenopatias ipsilateral laterocervicais, tanto submaxilares como jugulodigástricas. Os exames de sangue e outros exames eram normais. Foi estabelecido um diagnóstico de carcinoma espinocelular localmente avançado da orofaringe (T3-N2b-M0, Fase IVa) e foi iniciado o tratamento quimiorradioterápico. O tratamento consistiu em radioterapia hiperfractiva (120 cGy por fracção, 2 fracções/dia, até 7.680 cGy), e cisplatina, 20 mg/m2/dia em perfusão contínua durante 120 horas, entre os dias 1-5 e 21-25 de tratamento. No final do tratamento, tanto o exame físico como a tomografia computadorizada mostraram uma resposta completa.
O paciente permaneceu assintomático até Março de 2007, quando chegou ao nosso hospital com astenia, instabilidade e dor abdominal seguida de hematémese maciça com envolvimento clínico e hematológico (Hb 7,1g, hematócrito 21,5%). A gastroscopia mostrou um tumor ulcerado no esófago distal, sobre o cárdia estendendo-se até à maior curvatura e face anterior e posterior do estômago. O resultado da biopsia foi um carcinoma epidermoide compatível com metástase do carcinoma laríngeo.

Durante toda a estadia hospitalar, foram necessárias várias transfusões e foi iniciado o tratamento com somatostatina, apesar de a hemorragia se ter mantido activa. O tratamento de radioterapia paliativa foi então iniciado com intenção hemostática, administrando 20Gy em 5 fracções de 400cGy com boa tolerância digestiva e conseguindo a remissão dos episódios de hemorragia. O paciente teve alta e permaneceu assintomático durante mais 5 meses, após o que morreu de disseminação metastática.


