Homem de 17 anos com história de paraplegia secundária a um ferimento de bala na vértebra T1. Morreu em casa sem assistência médica e foi ordenada uma autópsia judicial.
a) Exame externo: atrofia das quatro extremidades e anquilose das mãos, úlceras de decúbito com tecido necrótico ao nível do bitrocantéreo e do sacro. Cânula de traqueostomia a nível cervical. Transportava um cateter urinário ligado a um saco de recolha contendo urina de cor púrpura marcante.

b) Exame interno: cérebro com aumento de peso significativo (1,875 g) com padrão de edema cerebral (achatamento de gyri e convoluções). Coração de peso normal (325 g) com dilatação discreta das cavidades cardíacas direitas e presença de trombos murais. Adesões pleurais e interlobulares direitas e tromboembolismo pulmonar no ramo esquerdo da artéria pulmonar. Os pulmões estavam ligeiramente acima do peso (D: 640 g; I: 600 g) com congestão moderada a grave e edema. Não houve indícios de enfarte pulmonar. Peso renal normal (D: 180 g; I: 130 g) com fraca diferenciação cortico-medular, hemorragia na zona medular e áreas de descoloração purulenta com material purulento a sair através da pélvis renal. A bexiga urinária apresentava 400 cc de urina turva, odor fétido associado a sedimento de cor creme esverdeado no fundo com um aspecto purulento.

c) Exames complementares:
- Análise toxicológica negativa em amostras de sangue, urina e humor vítreo.
- Análise microbiológica. A cultura de sedimentos urinários mostrou o crescimento de Proteus vulgaris.
d) Causa de morte: O tromboembolismo pulmonar foi considerado a causa imediata da morte, a infecção do tracto urinário como causa intermédia e a paraplegia como causa subjacente.


